TV pública italiana cancela programa que fez comentários machistas sobre mulheres do leste europeu

Presidente e diretores da RAI se desculparam após 'Parliamone sabato' afirmar que homens italianos 'preferem' mulheres da Europa Oriental porque elas 'perdoam traições' e 'estão dispostas a deixar seus homens comandarem'

A RAI, TV pública italiana, se desculpou publicamente e cancelou nesta segunda-feira (20/03) um programa de um dos canais da rede que apresentou uma lista com "seis motivos para escolher uma namorada do leste" europeu. O segmento foi duramente criticado por espectadores e usuários de redes sociais, que apontaram o machismo e o racismo explícitos veiculados pela TV pública.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

No último sábado (18/03), o programa “Parliamone sabato”, exibidio no canal RAI 1 e apresentado por Paola Perego, veiculou um segmento intitulado “o fascínio das mulheres do leste”, sobre a suposta preferência dos homens italianos pelas mulheres da Europa Oriental.

O programa apresentou em um gráfico intitulado “A ameaça vem do leste: Os homens preferem as estrangeiras” seis motivos que justificariam a “escolha” por namoradas principalmente de países da ex-União Soviética: “1. Todas viram mães, mas retomam a forma física rapidamente; 2. Estão sempre sexy; 3. Perdoam as traições; 4. Estão dispostas a deixar seus homens comandarem; 5. São donas de casa perfeitas e aprendem os afazeres domésticos desde crianças; 6. Não reclamam, não são 'grudes' e nem têm frescura”.

Reprodução

Programa esbanjou machismo ao elencar supostas razões para 'fascínio' de mulheres do leste europeu

Trump, Putin e estupros na USP: por que os homens não amam as mulheres?

Discurso machista de Temer no Dia da Mulher repercute na imprensa internacional

Holofotes para Bruno, condenado por assassinato de Eliza Samudio, banalizam feminicídio, dizem jornalistas

 

Após a transmissão do programa de TV, o público reagiu com uma enxurrada de críticas nas redes sociais. Alguns internautas disseram ter ficado na dúvida se se tratava de uma brincadeira ou se a reportagem era séria.

A diretora presidente da RAI, Monica Maggioni, pediu desculpas ao público pelo segmento. "Não assisti à transmissão, estou acompanhando pelos sites. Mas aquilo é uma representação surreal da Itália de 2017. Se essa representação é feita em um serviço público, vira um erro inaceitável", disse. "Pessoalmente, sinto-me atingida como mulher, peço desculpas".

"Todos os dias nos questionamos sobre qual imagem de mulher veiculamos, como podemos progredir, sair dos estereótipos. Aí acontece um episódio desse. O problema não é uma piada inconsciente, mas a construção de uma página em cima de um tema desses", comentou a presidente da RAI. "Antes de tudo, peço desculpas. Depois, vamos tentar entender como nasceu uma coisa dessas".

O diretor da RAI 1, canal por onde foi transmitido o programa de sábado, Andrea Fabiano, também se desculpou. "Os erros devem ser reconhecidos sempre, sem 'se' e sem 'mas'. Peço desculpas a todos pelo que viram e ouviram no 'Parliamone Sabato'", escreveu no Twitter.

O diretor-geral da RAI, Antonio Campo Dall'Orto, afirmou que "as desculpas são necessárias, mas não bastam", e informou nesta segunda-feira (20/03) que o programa "Parliamone sabato" foi cancelado e não faz mais parte da grade da emissora. "É apenas a simples e necessária reação ao conteúdo exibido no último sábado, que contradiz de maneira indiscutível tanto a missão do serviço público quanto a linha editorial que indicamos desde o início deste mandato", declarou.

 

*Com ANSA



Uma vez que você chegou até aqui...


…temos algo a sugerir. Cada vez mais gente lê Opera Mundi, mas a publicidade dos governos, com o golpe, foi praticamente zerada para a imprensa crítica, e a publicidade privada não tem sido igualmente fácil de conseguir, apesar de nossa audiência e credibilidade. Ao contrário dos sites da mídia hegemônica, nós não estamos usando barreiras que limitam a quantidade de matérias que podem ser lidas gratuitamente por mês. Queremos manter o jornalismo acessível a todos. Produzir um jornalismo crítico e independente custa caro e dá trabalho. Mas nós acreditamos que o esforço vale a pena, pois um jornalismo desse tipo é essencial num mundo que preza a democracia. E temos certeza de que você concorda com isso.


Torne-se um assinante solidário ou faça uma contribuição única.




(Este anúncio é diretamente inspirado numa solicitação feita pelo jornal britânico ‘The Guardian’. A imprensa independente de todo o mundo está buscando nesse tipo de apoio uma forma de existir e persistir.)


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

Diálogos do Sul

PUBLICIDADE

Últimas notícias

Mais Lidas