Mélenchon, candidato da esquerda à Presidência da França, propõe 'insurreição cidadã' e reúne milhares em Paris

Candidato da coalizão 'França Insubmissa', Jean-Luc Mélenchon falou a seus apoiadores no aniversário da Comuna de Paris; ele prometeu revogar reforma trabalhista de Hollande e realizar Constituinte para 'pôr abaixo monarquia presidencial'

Jean-Luc Mélenchon, candidato da coalizão de esquerda “França Insubmissa” às eleições presidenciais, reuniu milhares de pessoas em um comício no último sábado (18/03) em Paris. O candidato prometeu uma “insurreição cidadã contra a monarquia presidencial” e deu um tom combativo à campanha eleitoral francesa, dominada pela ascensão da ultradireitista Marine Le Pen e, mais recentemente, do centro-direitista Emmanuel Macron.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

A manifestação, que segundo o candidato reuniu 130 mil pessoas, começou com uma passeata entre as praças da Bastilha e da República, na capital francesa. “Eu sabia que vocês viriam, sabia que é inesgotável a onda que nos traz, geração após geração, da Bastilha à República”, disse Mélenchon, acrescentando que sua candidatura se inscreve no “fio vermelho” das lutas históricas e sociais do país.

Declarando-se herdeiro de 1789, ano da Queda da Bastilha, o candidato se disse porta-voz da “humanidade humilhada, dos afogados do Mediterrâneo, dos suicidas no trabalho, dos mortos no abandono das ruas, de todos os que sofrem neste mundo nojento, onde a acumulação de uns se nutre da aflição de outros”. “Somos sua revanche, seu sorriso, sua dignidade intacta e a esperança de dias melhores”, afirmou.

Mélenchon também se dirigiu às classes dominantes: “Poderosos da terra, estamos aqui, estamos de novo encontrando-nos com a história no dia do aniversário da gloriosa Comuna de Paris, que inventou a República social”.

Agência Efe

Jean-Luc Mélenchon, candidato da coalizão de esquerda "França Insubmissa", reuniu milhares de pessoas em Paris no último sábado (18/03)

Em nome do 'povo': o que é populismo?

Emmanuel Macron supera Marine Le Pen pela primeira vez em intenções de voto para Presidência da França

A CIA lê a teoria francesa: sobre o trabalho intelectual de desmantelamento da Esquerda cultural

 

O candidato da “França Insubmissa”, apoiado pelo Partido Comunista francês, disse também que a primeira medida de seu programa de governo, intitulado “O futuro em comum”, é propor a fundação da 6ª República através de uma Constituinte “que porá abaixo a monarquia presidencial”.

“A nova Constituição deve ser antes de tudo social”, defendeu, propondo tornar “intocável” a hierarquia das normas. “Não se pode tolerar que seja editado um Código do Trabalho benéfico às empresas, sob a ameaça de desemprego”, anunciando que vai garantir os direitos constitucionais dos trabalhadores, “hoje servos das empresas”, e revogar a reforma trabalhista imposta pelo atual presidente francês, François Hollande, do Partido Socialista.

Classificando tratados europeus como “violência incrível” contra os franceses, Mélenchon disse que, caso seja eleito, não assinará o Ceta, tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Canadá.

Agência Efe

Milhares de pessoas se reuniram na Praça da República, em Paris, para comício de Jean-Luc Mélenchon no último sábado (18/03)

O candidato da esquerda francesa finalizou condenando os “poderes monárquicos confiados ao chefe de Estado” e exortando o povo à “revolução cidadã, se vocês não querem sofrer um golpe de Estado étnico ou financeiro”.

Mélenchon aparece em quinto lugar nas pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno das eleições francesas, que acontece no dia 23 de abril. Ele aparece depois do candidato socialista, Benoît Hamon; do candidato da direita, François Fillon; a candidata da ultradireita, Marine Le Pen; e o de centro-direita, Emmanuel Macron – estes dois últimos devem disputar o segundo turno do pleito, no dia 7 de maio.
 
 

*Com informações do blog Resistência.



Uma vez que você chegou até aqui...


…temos algo a sugerir. Cada vez mais gente lê Opera Mundi, mas a publicidade dos governos, com o golpe, foi praticamente zerada para a imprensa crítica, e a publicidade privada não tem sido igualmente fácil de conseguir, apesar de nossa audiência e credibilidade. Ao contrário dos sites da mídia hegemônica, nós não estamos usando barreiras que limitam a quantidade de matérias que podem ser lidas gratuitamente por mês. Queremos manter o jornalismo acessível a todos. Produzir um jornalismo crítico e independente custa caro e dá trabalho. Mas nós acreditamos que o esforço vale a pena, pois um jornalismo desse tipo é essencial num mundo que preza a democracia. E temos certeza de que você concorda com isso.


Torne-se um assinante solidário ou faça uma contribuição única.




(Este anúncio é diretamente inspirado numa solicitação feita pelo jornal britânico ‘The Guardian’. A imprensa independente de todo o mundo está buscando nesse tipo de apoio uma forma de existir e persistir.)


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

Diálogos do Sul

PUBLICIDADE

Últimas notícias

Milhares participam de Marcha pela Ciência

Protestos contra cortes na área científica propostos pela gestão Trump foram convocados em mais de 500 cidades; em Washington, cerca de 70 mil manifestantes se reúnem em frente à Casa Branca

 

À força, meu querer

Donald Trump e Kim Jong-un combinam guerra ao telefone: 'Duas ogivas de médio alcance. Assim acerta Tóquio, né?' 'Acho que devemos ter mais ousadia. Esse mundo tá muito chato. O Obama nem sabia fazer guerra direito. Coloca mais dois na Coreia, pode ser?'

 

Rafael Braga é condenado a 11 anos de prisão

Único condenado preso no contexto de junho de 2013, Braga estava em regime aberto com uso de tornozeleira quando foi preso por porte de 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão, que lhe foi atribuído pelos policiais que o prenderam

 

Mais Lidas