Cidade italiana inicia obra para 'contextualizar' painel que enaltece Mussolini

Bolzano, no norte da Itália, irá colocar frase de Hannah Arendt, filósofa que sobreviveu ao nazismo, sobre painel de 5,5 metros de altura que retrata ex-ditador fascista como um imperador romano

A cidade de Bolzano, no norte da Itália, iniciou nesta quarta-feira (05/05) os trabalhos para "contextualizar" um painel em baixo-relevo do ex-ditador fascista Benito Mussolini (1883-1945).


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Instalada na fachada do Palácio dos Escritórios Financeiros, edifício que pertence à Prefeitura, a obra de mármore tem 36 metros de comprimento, 5,5 de altura e 50 centímetros de profundidade e retrata o "Duce" montado em um cavalo, como um imperador romano.

O painel também exalta diversas etapas do fascismo, desde batalhas na Primeira Guerra Mundial até a Marcha sobre Roma, ocorrida em outubro de 1922, quando milhares de manifestantes forçaram o rei Vittorio Emanuele III a entregar o governo do então Reino da Itália para Mussolini.

Entre as patas do cavalo do ex-ditador, estão escritas as palavras "acreditar, obedecer e combater". Desde o fim da Segunda Guerra, houve diversas tentativas de destruir o painel ou levá-lo a um museu, mas nenhuma delas prosperou.

Jon Shave / Flickr CC

Painel em edifício público de Bolzano, no norte da Itália, traz Mussolini, ditador fascista, como um imperador romano

A ideia de "contextualizar" a obra foi proposta pela Prefeitura de Bolzano, que realizou um concurso público para escolher os artistas responsáveis pelo projeto. Vencedores da competição, Arnold Holzknecht e Michele Bernardi incluirão no painel a frase "Ninguém tem o direito de obedecer", da filósofa alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975), ex-prisioneira de um campo de concentração nazista.

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Além disso, uma instalação projetada pelo arquiteto Luca Marchesoni ilustrará o contexto histórico do baixo-relevo. O custo das intervenções é estimado em 130 mil euros, e o fim dos trabalhos está previsto para o segundo semestre de 2017.

"É um passo importante que contribui para uma reflexão sobre a história comum e ajuda a enfrentar melhor o amanhã. A contextualização servirá de memória e consciência de um triste período histórico e de alerta para as gerações futuras", disse o presidente da província autônoma de Bolzano, Arno Kompatscher.

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