23 fatos sobre o ataque à Siria: até agora, EUA e Rússia se pautam pela 'racionalidade'

Há clara cisão interna em todos os países. Esquerdas na Europa e Canadá criticaram os ataques. Dentro dos EUA, os Republicanos têm sido fiéis ao seu discurso. Trump é que parece tirar proveito político de todos os momentos para aumentar seu espaço de ação

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Este texto foi escrito 72 horas após os ataques norte-americanos à Síria, que aconteceram no dia 7 de abril de 2017.

1) Foram lançados 59 mísseis Tomahawk de dois navios americanos estacionados no mediterrâneo. Apenas 23 atingiram o alvo.


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2) Os sistemas de defesa antiaérea da Rússia não atingiram nenhum dos mísseis. Putin disse que não o fez para evitar uma guerra com os EUA. Não se sabe se os sistemas poderiam ter parado os Tomahawk.

3) Entre 85 e 100 milhões de dólares custou o ataque. As ações da empresa que faz os tomahawk subiram 2% na bolsa.

4) O petróleo subiu um dólar o barril depois do ataque.

5) A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, disse que o ataque "foi plenamente justificado" e que "os EUA podem atacar novamente". Isto encerra qualquer discussão sobre direito internacional.

6) Aparentemente, os danos à base foram pequenos. A Rússia informa que as pistas de lançamento já estão operacionais novamente. 

7) Os democratas abriram mão de pressionar Trump. De fato se colocaram ao lado do presidente. Bernie Sanders e Hillary Clinton apoiaram os ataques.

8) Os Republicanos estão sendo os mais questionadores. Rand Paul (senador republicano) tem incessantemente se manifestado pela ilegalidade das ordens de Trump e que "é necessário que o presidente respeite a autoridade do congresso".

9) Trump avisou ao mundo todo que os ataques são um "alerta a todo país que atuar 'fora das normas internacionais'".

10) Menos de 48 horas após os ataques, Rússia e Irã alinharam-se para "retaliar qualquer nova tentativa de violar o direito sírio"

11) O Conselho de Segurança não chegou a qualquer veredito, sequer sobre os ataques, quanto mais sobre qualquer resposta. O secretário-geral da ONU pediu "moderação".

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Agência Efe

Trump e Putin: relação (ainda) pautada pela racionalidade

12) O líder norte-coreano ameaçou "transformar em cinzas" os EUA em caso deste lançar ataques à Coréia do Norte. Esta havia testado mísseis 48 horas antes e Trump ordenou movimentação de navios para a península coreana sob o pretexto da ilegalidade dos testes.

13) O sistema de mídia norte-americano parece ter dado vazão à tese de Trump e a população oscila entre o apoio explícito às ações do presidente a uma neutralidade discreta. Poucas são as manifestações contrárias.

14) Putin rompeu os acordos de troca de informações militares e qualquer cooperação com os EUA 24 horas depois dos ataques. As tropas americanas devem agora basear-se em seus próprios meios, caso queriam novamente agir na Síria.

15) 24 horas depois dos ataques, "aviões não identificados" atacaram cidades que estão sob o domínio de rebeldes e onde teria denúncias de uso de armas químicas.

16) China e Coreia do Sul, temerárias de um conflito nuclear entre EUA e Coreia do Norte, comprometeram-se em um "duro discurso" contra o líder norte-coreano, pelos testes com mísseis de longo alcance.

17) Há um notável desconforto da comunidade internacional frente à súbita posição de "xerife" do mundo que Trump parece estar tomando. Mesmo aliados como Inglaterra e França não estão de todo satisfeitos.

18) Há clara cisão interna em todos os países. As esquerdas na Europa e Canadá criticaram os ataques. Dentro dos EUA, os Republicanos têm sido fiéis ao seu discurso. Condenavam os ataques de Obama e agora condenam os de Putin. Trump é que parece tirar proveito político de todos os momentos para aumentar seu espaço de ação.

19) O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, subiu o tom e disse que não haverá acordo com a Síria enquanto Assad estiver lá. É a primeira declaração aberta contra a pessoa de Assad e não seus métodos ou forma de governo. É a primeira vez que os EUA se posicionam sem permitir uma saída negociada.

20) Apesar do apoio retórico aos EUA, Israel está surpreendentemente inerte. As discussões internas dão conta que o sentido de insegurança que Trump trouxe supera um eventual ganho pontual contra um opositor como Assad. Israel sabe que é o calcanhar de Aquiles de toda esta situação.

21) A Rússia voltou a ativar submarinos, aviões e atividades militares desde o ataque. Mas está claro que é com efeito dissuasório e não buscando um enfrentamento. A relação EUA e Rússia ainda é pautada pela racionalidade diplomática, embora esteja com muito menor legitimidade.

22) A relação EUA-Coreia do Norte, entretanto é bem mais delicada. Enquanto outros presidentes americanos de forma salutar e madura ignoravam as bravatas de Pyongyang, Trump parece especialmente incomodado pelas pueris declarações de Kim Jong Un. E aqui se encontra o verdadeiro perigo.

23) O Estado Islâmico iniciou uma ofensiva em todo território Sírio logo no momento dos ataques americanos. Os russos declararam que a ofensiva falhou. Assad acusou publicamente Trump de ajudar os terroristas e de não querer qualquer paz na região.

P.S.: Agradecendo ao Julio Mangini. Eu pesei demais a mão no Sanders. Ele declara que o problema dos bombardeios é o fato de ser "unilateral" e de não pensar nas "consequências não desejadas" do ataque. Não na questão moral do ataque. Sanders fala que o dinheiro poderia ser gasto em outras coisas, mas que ISIS e Assad precisam ser parados. É uma posição intermediária entre o apoio de Hillary e a crítica de Rand Paul.

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