Dilma Rousseff: uma mulher e companheira espetacular

A pessoa que eu tive a honra de conhecer um pouquinho nesta última semana é profundamente honesta e uma pessoa íntegra. Estou muito grato pela oportunidade de compartilhar este tempo com ela

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Passei a última semana com a Presidenta Dilma Rousseff numa jornada acadêmica em nove universidades na Costa Leste dos Estados Unidos. Embora variasse o conteúdo de suas apresentações, o tema fundamental foi a necessidade de defender a democracia no Brasil. Enquanto escutava suas falas, diversas imagens passavam pela minha cabeça.


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A primeira foi um ato de protesto realizado no Union Square em Nova Iorque e organizado pelo Comitê em Defesa da Democracia no Brasil, uma organização fantástica de brasileiras e brasileiros, em grande parte liderado por mulheres, que tem lutado incansavelmente contra a tomada de poder ilegal no Brasil.

Em certo momento, um homem afro-brasileiro pegou o megafone. Ele explicou que estava em Nova Iorque com uma bolsa do governo brasileiro e atuava como fotojornalista. Para ele, antes dos governos de Lula e Dilma, seria impossível que alguém de origens humildes conseguisse um diploma universitário e pudesse aproveitar esta oportunidade internacional.

Em 1 de abril de 2016, no 52° aniversário do golpe militar de 1964 no XIII Simpósio Internacional da Brazilian Studies Association (BRASA), realizado na Universidade de Brown, os sócios aprovaram uma moção defendendo a democracia no Brasil. Alguns argumentaram que a associação não devia tomar uma posição. Uma pessoa até sugeriu que prejudicaria as possíveis futuras entrevistas dele com o juiz Sérgio Moro, se a organização se pronunciasse. Felizmente, a grande maioria dos participantes no Simpósio Internacional atuou de uma forma correta.

Menos de três semanas depois, passei um domingo inteiro assistindo aos membros da Câmara dos Deputados votando sobre o início do procedimento de impeachment contra a Presidenta Rousseff. O único ponto positivo naquele dia triste foi o ato espontâneo do deputado Jean Wyllys, que cuspiu na cara de Jair Bolsonaro, o politico reacionário, que acabou de dedicar seu voto a favor do impeachment à ditadura militar e ao Coronel Ustra, que foi responsável pela tortura da Presidenta e de muitos outros.

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Reprodução/Facebook

Dilma e Green em Nova York

No dia 7 de junho de 2016, a historiadora Hebe Mattos, uma das organizadoras de Historiadores pela Democracia, me convidou a ir até Brasília numa delegação de acadêmicos que se reuniram com a Presidenta Rousseff para manifestar apoio a ela durante o processo de impeachment.

Me deram a honra de sentar ao lado da Presidenta. Depois da fala de várias colegas, fiz uns breves comentários sobre a solidariedade internacional com Brasil durante a ditadura e hoje em dia. Quando as falas terminaram, eu a abracei e mencionei que estava trabalhando numa biografia de Herbert Daniel, que foi um grande amigo dela durante a luta contra o regime militar. Me comprometi então a ajudar no projeto de trazê-la aos Estados Unidos um dia para conversar sobre a situação no Brasil. Felizmente pude cumprir a minha promessa.

Ao longos dos anos, eu sempre tive dúvidas e críticas em relação aos governos de Lula e Dilma. Porém, o que mais me impressionou durante esta semana intensa de eventos, reuniões e interações foi a crença firme de Dilma na democracia. As pessoas que viveram o choque elétrico do regime militar, a censura da imprensa, os decretos arbitrários e os silêncios impostos sobre a nação compreendem que sem democracia não há justiça e sem justiça real e igualdade socioeconômica não há democracia.

A pessoa que eu tive a honra de conhecer um pouquinho nesta última semana é profundamente honesta e uma pessoa íntegra. Estou muito grato pela oportunidade de compartilhar este tempo com ela.

A minha vida me levou a várias reviravoltas nas últimas cinco décadas, que dificilmente eu poderia ter planejando previamente. A última semana foi uma das surpresas menos previsíveis neste caminho. Que honra ter passado este período com a Presidenta Dilma Rousseff enquanto ela segue defendendo a democracia brasileira e os legados das lutas sociais do último século.

(*) James Naylor Green é historiador especializado em estudos brasileiros e latino-americanos e professor da Universidade Brown, nos Estados Unidos. Este texto foi originalmente publicado na página do Facebook de Green.

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