Macron vence em áreas da esquerda e Le Pen, nos extremos da França; veja mapa

Macron ganhou 42 departamentos, sendo 32 que haviam votado no Partido Socialista em 2012; na capital, Paris, e em cidades maiores, Le Pen ficou em 5º lugar

Assim como acontece em nações como Brasil e Estados Unidos, o mapa das eleições presidenciais na França revela uma profunda divisão política no país.

A candidata ultranacionalista Marine Le Pen (Frente Nacional) terminou o primeiro turno na liderança em mais da metade (cerca de 19 mil) das mais de 35 mil cidades francesas, mas em nenhuma das 10 maiores metrópoles do país. Enquanto isso, o liberal Emmanuel Macron (En Marche!) levou áreas que, tradicionalmente, votam com a esquerda.

Segundo dados do Ministério do Interior, Le Pen foi dominante nos extremos sul e norte da França e em um "corredor" que conecta as duas pontas pelo leste, perto das fronteiras com Itália, Suíça, Alemanha e Bélgica. No entanto, esse desempenho não se repetiu nas grandes cidades.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

Das 10 maiores, a ultranacionalista teve como melhores resultados a segunda colocação em Marselha (23,66%) e Nice (25,28%). Em três delas, incluindo Estrasburgo, uma das sedes do Parlamento Europeu (12,17%), Montpellier (13,32%) e Lille (13,83%), Le Pen ficou apenas na quarta posição.

Em outras quatro, inclusive a capital Paris (4,99%), Toulouse (9,37%), Nantes (7,12%) e Bordeaux (7,39%), a líder da Frente Nacional perdeu até do socialista Benoît Hamon e terminou o primeiro turno em quinto lugar.

Isso mostra que seu discurso contra a União Europeia e em defesa do fechamento das fronteiras tende a ter mais apelo longe de regiões cosmopolitas, onde o medo da imigração em massa e da perda da "identidade francesa" costuma ser maior.

Emmanuel Macron e Marine Le Pen decidirão presidência da França em segundo turno histórico

Partido Socialista pede voto contra Le Pen para que França 'não perca sua essência'

Hollande declara voto em Emmanuel Macron no segundo turno das eleições na França

 

Por outro lado, Le Pen venceu em 47 dos 101 departamentos da França, incluindo 16 que não haviam preferido o candidato da Frente Nacional nas três últimas eleições presidenciais. A Córsega, que tradicionalmente vota com a direita, escolheu a ultranacionalista.

Reprodução/Ministério do Interior da França

Mapa mostra vencedores por departamentos na França

Macron

Já Macron, que disputa sua primeira eleição, venceu em 7.100 cidades, pouco mais de um terço das conquistadas por Le Pen. Seus territórios se concentram sobretudo na metade ocidental da França e nas grandes cidades e seus arredores.

Entre as 10 principais metrópoles, o ex-ministro das Finanças faturou cinco: Paris (34,83%), Lyon (30,31%), Nantes (30,83%), Estrasburgo (27,76%) e Bordeaux (31,26%). Em outras três, ficou na vice-liderança: Toulouse (27,27%), Montpellier (24,69%) e Lille (25,02%), sempre atrás do esquerdista Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa).

Agência Efe

Macron e Le Pen disputam o segundo turno em 7 de maio

Seus piores resultados foram as terceiras colocações em Marselha (20,44%) e Nice (20,52%), justamente onde Le Pen teve seus melhores desempenhos. Macron também levou 42 departamentos, sendo 32 que haviam votado no Partido Socialista em 2012 - de uma maneira geral, o candidato saiu-se melhor em territórios da esquerda do que da direita, embora não se identifique com nenhum dos dois lados.

Já Mélenchon terminou a eleição em quarto lugar, praticamente empatado com François Fillon, do Republicanos. O candidato da França Insubmissa venceu em Dordogne, Ariege, em Seine-St. Denis (nos arredores de Paris), na Guiana Francesa e outros territórios ultramarinos.

Macron terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 24,01%, e Le Pen ficou logo atrás, com 21,30%. Ambos se enfrentarão no segundo turno, marcado para 7 de maio. 

(*) Com Ansa

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA FRANÇA
Create bar charts
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

Destaques

Publicidade

História Agrária da Revolução Cubana

História Agrária da Revolução Cubana
Este livro é um estudo sobre a saga da reforma agrária numa sociedade de origem colonial presa ao círculo vicioso do subdesenvolvimento. Fundamentado em farta documentação e entrevistas com técnicos e lideranças que participaram diretamente do processo histórico cubano, o trabalho reconstitui as barreiras encontradas pela revolução liderada por Fidel Castro para superar as estruturas materiais de uma economia de tipo colonial.
Leia Mais

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

A revista virtual
desnorteada

Mais Lidas

Últimas notícias

Quem são os extremistas de direita dos EUA?

As manifestações e violência na Virgínia colocaram em foco os grupos ultradireitistas americanos; crença na supremacia branca, antissemitismo, homofobia e intolerância política são alguns dos pontos que os unem