Merkel e Putin reafirmam posições contrárias sobre Ucrânia em reunião para tentar reaproximação

'Pedi para o presidente Putin usar sua influência para proteger os direitos das minorias', disse Merkel sobre denúncias de 'campos de concentração' para gays na Chechênia'

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu nesta terça-feira (2) a chanceler alemã, Angela Merkel, na cidade de Sochi, para debater as relações bilaterais e as crises na Ucrânia e na Síria. Esta foi a primeira visita da líder à Rússia em mais de dois anos.


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Em entrevista coletiva após o encontro privado, Merkel ressaltou a importância do governo russo como um grande "parceiro" no grupo do G20, mas destacou que as sanções econômicas contra o país continuarão enquanto a situação na Ucrânia não for normalizada.

"Queria que existissem as condições para tirar as sanções, que passam pela validação dos acordos de Minsk", disse Merkel, que ressaltou que o acordo foi "muito difícil" de ser fechado e que "nós temos opiniões diferentes sobre as causas dos conflitos".

O conflito ucraniano, iniciado no fim de 2013, é um dos principais pontos de afastamento entre Merkel e Putin. Em lados opostos, a chanceler acusa o governo russo de apoiar os separatistas, inclusive com a anexação do território da Crimeia à Rússia, e que por causa disso, o país precisa sofrer com sanções econômicas - aplicadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Agência Efe

Putin e Merkel se encontraram nesta terça-feira em Sochi

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Já Putin sempre negou seu envolvimento ou "patrocínio" para os grupos separatistas e acusa o próprio governo de Kiev de ser o responsável pela guerra civil local. Após a crise ucraniana, Moscou foi afastada da reunião do então G8, o grupo com alguns dos países mais ricos do mundo.

Síria e Chechênia

Entre os temas debatidos na reunião entre Merkel e Putin, a crise síria também esteve na pauta. Os dois governos também estão em lados opostos na guerra civil - enquanto a Rússia apoia o governo de Bashar al-Assad, a Alemanha está na coalizão liderada pelos Estados Unidos e classifica Assad como ditador.

Questionado sobre o tema, o presidente destacou que seu governo "condena o uso de armas químicas em Idlib" e ressaltou que "os responsáveis serão encontrados e condenados após uma investigação aprofundada".

Enquanto a coalizão acusa Assad de fazer o ataque químico do dia 4 de abril, que matou mais de 80 pessoas, Putin acusa os rebeldes pelo ato. "A solução para a crise síria só pode ser pacífica sob o comando das Nações Unidas", acrescentou, ainda, sobre o que pensa das negociações de paz.

Outro tema abordado pelos dois líderes foi a denúncia de que presídios na Chechênia tinham virado "campos de concentração de homossexuais". "Eu pedi para o presidente Putin usar sua influência para proteger os direitos das minorias [...] e proteger os direitos dos gays na Chechênia", destacou a chanceler, que classificou como positiva a atitude dos dois governos de "tentar encontrar soluções" para problemas locais e internacionais.

Eleições norte-americanas

Putin ainda foi questionado sobre as acusações dos Estados Unidos de que seu governo "atacou" com hackers as eleições norte-americanas e beneficiou a vitória de Donald Trump. O mandatário ressaltou que isso não passa de "simples rumores" e que nunca fez nada de ilegal nesta questão.

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