Juiz Sérgio Moro perdeu imparcialidade necessária para julgar Lula, diz advogado de ex-presidente

Em entrevista ao site chileno El Desconcierto, Cristiano Zanin criticou o que considera 'viés político' de promotores, da grande imprensa brasileira e do juiz Sérgio Moro contra Lula

Em entrevista publicada nesta quinta-feira (04/05) pelo site chileno El Desconcierto, o advogado Cristiano Zanin, que atua na defesa do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no processo derivado da Operação Lava Jato, criticou o que considera “viés político” de promotores, da grande imprensa brasileira e do juiz Sérgio Moro contra Lula.


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Para Zanin, “há um claro movimento de algumas autoridades brasileiras buscando a qualquer custo inviabilizar a atuação política de Lula, e até impedir uma nova candidatura presidencial dele por meio de uma condenação na Justiça”.

O advogado afirma que entre as causas contra Lula, a mais avançada é a que acusa o ex-presidente de ter recebido de uma construtora um apartamento no Guarujá como “vantagem indevida”. “Foram ouvidas 73 testemunhas, 27 delas selecionadas pela acusação, e todas disseram que o ex-presidente não é nem nunca foi dono do apartamento”, disse Zanin em entrevista ao jornalista brasileiro baseado no Chile Victor Farinelli.

“A última manobra foi recorrer ao testemunho de pessoas que estão detidas há muito tempo para que façam uma declaração contra Lula em troca de sua liberdade”, disse Zanin, comentando a afirmação do empresário Leo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS detido desde 2014 que afirmou recentemente que Lula ordenou que ele “destruísse provas” de supostas ilegalidades.

Tal afirmação “é frívola e carece de materialidade” e se dá no contexto de pressões de autoridades que exigem uma acusação contra Lula, diz o advogado. “Pinheiro está tratando de usar uma oportunidade que os promotores da Lava Jato lhe deram. Como não encontraram provas contra Lula, precisam que ele diga algo que possa envolver o ex-presidente em algo ilícito. Se isso ocorre, ele [Pinheiro] pode receber benefícios, inclusive a liberdade”.

Filipe Araújo

O advogado Cristiano Zanin, parte da equipe de defesa do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no processo da Lava Jato

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Para Zanin, o juiz Sérgio Moro “praticou diversas ilegalidades e arbitrariedades contra Lula e perdeu a imparcialidade necessária para julgá-lo”. O advogado cita as gravações, ordenadas pelo juiz, de ligações telefônicas entre o ex-mandatário e a então presidente do Brasil, Dilma Rousseff, seus familiares e seus advogados, e que depois foram divulgadas à imprensa.

“Além disso, Moro participou de vários eventos com políticos e candidatos que fazem oposição a Lula. Em suas declarações, fez acusações contra o ex-presidente, atuando como um promotor, e não como juiz. Por isso Lula não tem tido um julgamento justo e imparcial”, disse o advogado.

Cristiano Zanin também acusou a grande imprensa brasileira de “atuar como porta-voz da promotoria” nos processos da Lava Jato. “Alguns dos principais veículos de imprensa do Brasil passaram a atuar como porta-vozes da promotoria nos processos da Lava Jato, além de negar ou dar um espaço muito pequeno para os argumentos da defesa de Lula, enquanto dedicam enorme destaque às acusações e até aos ataques de personalidades políticas” contra o ex-presidente.

Por isso, segundo o advogado, foi criado o site “A Verdade de Lula”, com a finalidade de divulgar informações sobre a defesa e as respostas do ex-presidente às acusações de que é alvo. “A informação é basicamente a defesa que apresentamos em favor do ex-presidente nos processos que enfrenta. Sem essas ferramentas, estaríamos à mercê da visão enviesada dos grandes meios e seu favoritismo para com a promotoria”, diz Zanin.

Para o advogado, as acusações contra Lula se relacionam ao impeachment sofrido por Dilma no ano passado, “ocorrido sem a existência de um delito de responsabilidade, que é o que se requer para destituir um mandatário eleito, segundo a legislação brasileira”. “O que se vê de similar nos dois casos é a fórmula: acusações sem materialidade para produzir efeitos políticos”, acredita Zanin.

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