Decisão da Promotoria sueca é 'vitória importante, mas guerra está longe de terminar', diz Assange

Ativista falou para quase cem curiosos e jornalistas de dentro da delegação diplomática equatoriana, na qual se refugiou há sete anos para evitar ser entregue às autoridades da Suécia

O fundador do portal WikiLeaks, o australiano Julian Assange, comemorou nesta sexta-feira (19/05) a decisão da Promotoria da Suécia de encerrar a investigação contra ele por um suposto crime de estupro, assegurando que, embora seja "uma vitória muito importante, a guerra está longe de terminar".


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"Hoje conseguimos uma vitória importante, tanto para mim como para o sistema de Direitos Humanos da União Europeia. No entanto, os sete anos de detenção sem acusações que estou aqui não poderão ser esquecidos", afirmou Assange na varanda da embaixada do Equador em Londres, onde está recluso desde 2012.

O ativista falou para quase cem curiosos e jornalistas de dentro da delegação diplomática equatoriana, na qual se refugiou há sete anos para evitar ser entregue às autoridades da Suécia, que queriam interrogá-lo sobre supostos crimes sexuais cometidos nesse país em 2010.

"O Reino Unido assegurou que me deterá de toda forma, e os Estados Unidos, a CIA e a Promotoria Geral americana deixaram claro que tanto eu como outros membros do WikiLeaks não temos direitos e que nossa detenção é uma prioridade", declarou Assange.

"Embora os EUA tenham dado declarações extremamente ameaçadoras, ficaria contente de conversar sobre o que aconteceu", afirmou Assange, se dizendo disposto a abrir um diálogo com o Departamento de Justiça norte-americano.

Assange também parabenizou a "grande vitória" da ex-soldado norte-americana Chelsea Manning. Responsável por um grande vazamento de documentos secretos do Exército dos EUA ao WikiLeaks em 2010, ela saiu da prisão na quarta-feira (17/05) depois de sete anos privada de liberdade.

Assange também agradeceu "ao Equador e a seu povo" por ter estado ao seu lado "suportando uma pressão asfixiante", e prometeu que a organização WikiLeaks não somente continuará com suas publicações sobre as atividades da CIA nos EUA, mas também as "aumentará".

Equador reitera asilo de Assange

O governo do Equador reafirmou a validade do asilo concedido a Assange, informou o ministro das Relações Exteriores equatoriano, Guillaume Long, em coletiva na sede do órgão nesta sexta-feira.

"O Equador reitera a vigência de asilo concedido (a Assange)", disse Long no pronunciamento, insistindo no pedido de que as autoridades do Reino Unido concedam "o salvo-conduto que permita a Assange desfrutar de seu asilo no Equador", em vez de ficar na embaixada em Londres.

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Agência Efe

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Ele apontou que a proteção do Estado equatoriano "existirá enquanto permanecerem as circunstâncias que motivaram a concessão" do asilo, "em particular o receio de sofrer reais e potenciais atos de perseguição política". O ministro indicou que a decisão divulgada hoje de encerrar a investigação preliminar aberta em 2010 contra o fundador do Wikileaks, envolve "a extinção do processo" contra ele na Suécia, e o Equador "comemora" essa notícia.

"Temos, finalmente, uma oportunidade das partes envolvidas de acabar com essa situação. Já chega. Foram sete anos de detenção arbitrária e sem acusações", disse.

O chanceler enfatizou que a ordem de detenção europeia contra Assange não tem mais validade e voltou a criticar a demora nas ações do Ministério Público sueco, pois desde que o Equador concedeu asilo ao jornalista era "urgente e factível" fazer o interrogatório na embaixada do país.

Em um inesperado anúncio, o Ministério Púbico da Suécia comunicou hoje o encerramento da investigação contra Assange por um suposto estupro, o que representa a suspensão da ordem de prisão internacional que estava em vigor. Apesar disso, a Scotland Yard informou que ainda é obrigada a cumprir a ordem de prisão emitida pela Corte do Reino Unido se o escritor sair da sede diplomática, em virtude de uma solicitação de extradição da Suécia.

Ao saber da decisão, o fundador do WikiLeaks escreveu no Twiiter: "Detido por 7 anos sem acusação, enquanto meus filhos cresciam e meu nome era difamado. Não perdoo nem esqueço".

Assange sempre disse ter medo de sair do edifício diplomático e ser entregue aos Estados Unidos, onde enfrentaria um julgamento militar pelos milhares de vazamentos feitos sobre o governo norte-americano em seu site.

 

*Com Agência Efe

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