Temer diz que gravação é 'fraudulenta' e ataca Joesley: 'falastrão' que cometeu 'crime perfeito'

Presidente diz que irá pedir suspensão do inquérito contra ele até que autenticidade de gravação seja verificada e reitera que não pretende renunciar: 'continuarei à frente do governo'

Michel Temer (PMDB) voltou a dizer nesse sábado (20/05) que não renunciará à Presidência da República, em meio ao escândalo desatado após a divulgação das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, sobre um multimilionário esquema de corrupção envolvendo o presidente e vários outros políticos.


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Em pronunciamento a jornalistas, Temer disse que está entrando com um pedido no STF (Supremo Tribunal Federal) para que o inquérito aberto contra ele na quinta-feira (18/05) seja suspenso até que seja verificada a autenticidade da gravação feita por Joesley de uma conversa entre os dois no Palácio do Jaburu.

O presidente se usou de uma perícia contratada pelo jornal Folha de S. Paulo, que concluiu que o áudio da gravação teria passado por mais de 50 edições.

“Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos. Incluída no inquérito sem a devida averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil”, disse Temer.

O peemedebista se defendeu atacando Joesley, a quem classificou como “falastrão” e “fanfarrão”. "Ele cometeu o crime perfeito. Enganou os brasileiros e agora mora nos Estados Unidos", afirmou.

Ele disse que não acreditou quando o empresário disse que tinha subornado juízes e um procurador, acrescentando que estava apenas “ouvindo as reclamações” de Joesley.

Beto Barata / PR

Michel Temer durante pronunciamento na quinta-feira (18/05); neste sábado, ele voltou a dizer que não pretende renunciar

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“Não há crime em ouvir reclamações e me livrar do interlocutor indicando outras pessoas para ouvir suas lamúrias”, disse Temer, em referência a ter direcionado Joesley a falar com o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).

"Não obstruí a Justiça e não fiz nada contra a ação do Judiciário", sustentou Temer, alegando que "houve falso testemunho à Justiça" nas delações dos irmãos donos da JBS.

Temer voltou a usar a economia para justificar seu apego à Presidência. "Estamos gerando emprego, liberamos mais de R$ 40 milhões para os trabalhadores, estamos completando reformas para modernizar o Estado", afirmou.

"O Brasil não sairá dos trilhos. Eu continuarei à frente do governo. Muito obrigado", finalizou.

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