Condenação de Lula é 'golpe judicial e político', diz Nobel da Paz argentino

Para Adolfo Pérez Esquivel, juiz Sergio Moro 'vem insistindo em Lula para tirá-lo da carreira presidencial': 'Já não precisam de exércitos, apenas de cumplicidade de câmaras parlamentares e do Poder Judicial', afirma

O Nobel da Paz argentino Adolfo Pérez Esquivel disse em entrevista à Sputnik Mundo publicada nesta quinta-feira (13/07) que a condenação do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é um "golpe judicial e político" e que o juiz responsável pela sentença, Sergio Moro, "vem insistindo em Lula para tirá-lo da carreira presidencial".


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

"Conheço Lula muito antes de ele ser líder do PT [Partido dos Trabalhadores], quando era dirigente sindical, sempre manteve uma ética impecável", destacou.

Em 12 de julho, a Justiça brasileira sentenciou o ex-presidente a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença foi determinada pelo juiz Sergio Moro.

Leia também: 'Golpe no Brasil é parte do projeto de recolonização da A. Latina', diz prêmio Nobel da Paz Pérez Esquivel

Para o Nobel argentino, o Brasil é um exemplo da corrente que não quer ver governos progressistas no poder da região. Citou como exemplo o golpe contra Manuel Zelaya, em 2009 em Honduras, o golpe contra Fernando Lugo no Paraguai, três anos depois, e a destituição de Dilma Rousseff da presidência do Brasil em 2016.

Agência Brasil

Esquivel foi preso duas vezes pela ditadura militar brasileira, que durou de 1964 a 1985

Imagem do Brasil no exterior se deteriora rapidamente, diz fundação alemã ligada a partido de Merkel

Imprensa internacional diz que condenação de Lula vem em meio a favoritismo para 2018; veja repercussão

Lula faz 'defesa enérgica' após condenação por Moro, diz The Guardian; veja repercussão

 

"O próprio presidente, Michel Temer, de fato, teve que reconhecer que se tratou de uma ação de vingança contra Dilma, contra a qual não conseguiram comprovar nenhum ato de corrupção. Já não precisam de exércitos, mas apenas de cumplicidade de câmaras parlamentares e do Poder Judicial", disse à Sputnik Mundo.

Esquivel alertou a existência de uma "fratura" dos movimentos sociais e disse que "devem ser superadas estas divisões para igualar os objetivos". Explicou que em seu país, Argentina, a fratura social é "enorme" e isso faz com que haja "avassalamentos" em todos os campos sociais.

"As democracias já não respondem à vontade dos povos. É preciso buscar uma democracia participativa com controle dos cidadãos. Todos que almejam uma democracia participativa, não podem se distanciar da situação que o Brasil está experimentando", concluiu.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Outras Notícias

PUBLICIDADE
X

Assine e receba as últimas notícias

Destaques

Publicidade

Democracia

Democracia

A construção e a defesa da democracia envolve muitas áreas: feminismo, educação, história. Conheça alguns títulos da Alameda Casa Editorial sobre o tema.

Leia Mais

O melhor da imprensa independente

PUBLICIDADE

A revista virtual
desnorteada

Mais Lidas

Últimas notícias