Foro de São Paulo começa na Nicarágua com foco em solidariedade a Lula e à Venezuela

Aliança de partidos e movimentos de esquerda latino-americanos fundada em 1990 realiza seu 23º encontro, que homenageará Fidel Castro, Che Guevara e os cem anos da Revolução Russa

A solidariedade com a Venezuela e com o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva serão os temas dominantes do XXIII Encontro do Foro de São Paulo, que começa neste sábado (15/07) e vai até a próxima quarta-feira (19/07) na Nicarágua.


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"Alguns temas vão dominar o foro: a solidariedade com a Venezuela e com Lula", disse nesta sexta-feira (14/07) a jornalistas o presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Assembleia Nacional da Nicarágua, Jacinto Suárez, do partido governista FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional).

O encontro na Nicarágua da aliança regional de esquerda fundada em 1990 espera reunir representantes de 118 partidos políticos e movimentos sociais de 26 países da América Latina.

A solidariedade do grupo à Venezuela se deve ao agravamento da polarização entre governo e oposição no país, com manifestações praticamente diárias a favor e contra o governo desde o fim de março, quando o presidente, Nicolás Maduro, convocou uma Assembleia Nacional Constituinte. Muitos protestos escalaram para a violência, deixando mais de 90 pessoas mortas.

Já o ex-presidente Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro na última quarta-feira (12/07) a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro em um dos cinco processos que enfrenta na operação Lava Jato. Sua defesa sustenta a falta de provas contra ele e recorreu da sentença, que deve ser julgada por um tribunal de segunda instância dentro de um ano. No dia seguinte à condenação, Lula se declarou pré-candidato às eleições presidenciais de 2018, desafiando o que ele e seus apoiadores consideram uma “caçada judicial” para tirá-lo do pleito.

O governo de Cuba enviará ao encontro uma delegação liderada pelo chefe de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista da ilha, José Ramón Balaguer Cabrera. Em entrevista ao jornal cubano Granma publicada nesta quinta-feira (13/07), Cabrera falou sobre o encontro que começa hoje.

Giorgio Trucchi / Opera Mundi

Encerramento do 17 ª Encontro do Foro de São Paulo, em 2011, também realizado em Manágua, na Nicarágua

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“Nessa reunião, o objetivo principal é chegar à unidade das forças de esquerda, dos partidos e movimentos progressistas, dos que consideram necessário um sistema diferente do capitalismo para sair da pobreza, da exploração perversa que as grandes transnacionais, o sistema financeiro internacional e os Estados Unidos exercem sobre nossos países”, disse o diplomata cubano.

Está prevista para a reunião a aprovação do Consenso de Nossa América, documento elaborado em janeiro por um grupo de trabalho do Foro no qual partidos e movimentos da esquerda da América Latina e do Caribe recolhem projeções para um programa politico em função da integração regional.

Segundo Cabrera, o documento “realiza uma aproximação histórica ao tema da unidade das forças revolucionárias, à necessidade da incorporação de um programa que transcenda a conjuntura eleitoral e defina em cada um de nossos países os passos para chegar ao poder e construir novas sociedades, soberanas, anti-imperialistas, solidárias”.

O encontro na Nicarágua será dedicado ao líder cubano Fidel Castro, morto em 25 de novembro de 2016, ao argentino Ernesto "Che" Guevara, pelo 50º aniversário de sua morte, e ao centenário da Revolução Russa.

O Foro de São Paulo inclui partidos políticos de esquerda de Argentina, Aruba, Barbados, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Curaçao, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Trinidade e Tobago, Uruguai e Venezuela. 

 

*Com Agência Efe

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