Milhares de pessoas celebram em Istambul 1º aniversário de golpe militar frustrado na Turquia

Principais atos acontecem na Ponte de Bósforo e em Ancara; desde 20 de julho passado, país vive sob estado de emergência, 140 mil funcionários públicos foram demitidos e 50 mil foram presas em 'limpeza' de Erdogan

A Turquia comemora neste sábado (15/07) o primeiro aniversário da tentativa frustrada de golpe militar do dia 15 de julho de 2016. Dezenas de milhares de pessoas se encontram na Ponte de Bósforo, em Istambul, onde acontece parte das festividades oficiais, com a presença do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e a inauguração de um monumento homenageando as 249 pessoas que morreram em enfrentamentos naquela noite.


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A celebração começou com uma grande marcha saindo de vários pontos de Istambul e que culminou na agora chamada de Ponte dos Mártires de 15 de Julho. Durante a noite do golpe, a ponte foi palco de confrontos entre civis e uma unidade de soldados com tanques que tinham bloqueado o tráfego nesta via, e várias pessoas acabaram morrendo no local.

Os serviços de transporte público são gratuitos hoje em Istambul e vários barcos disponibilizados para a ocasião estão levando milhares de pessoas aos cais mais próximos da ponte, coberta pelas bandeiras da Turquia nas mãos dos manifestantes.

A multidão se reuniu no local para ouvir Erdogan, participar das homenagens às vítimas e suas famílias e para a inauguração do monumento. As cerimônias continuarão no Parlamento de Ancara, onde será lembrado, durante uma sessão na madrugada, o bombardeio contra a sede do Legislativo turco durante o golpe.

Agência Efe

Istambul

O governo atribuiu a tentativa de golpe a grupos militares vinculados ao clérigo Fethullah Gülen, que até o ano de 2013 era aliado de Erdogan e desde então se tornou seu principal inimigo.

Gülen, que mora nos Estados Unidos, condenou o golpe e nega qualquer relação com o caso, mas Ancara considera que a Hizmet, organização ligada a ele – e que durante décadas ocupou altos cargos no governo, no Poder Judiciário, na polícia e, em menor medida, no exército – foi a força por trás do movimento.

Desde que foi decretado o estado de emergência, no dia 20 de julho do ano passado, aconteceu uma "limpeza" no governo para destituir funcionários supostamente ligados a Gülen.

Nesta sexta-feira (14/07), um novo decreto anunciou a demissão de 7 mil funcionários, entre eles 2.303 policiais, fazendo com que o número de empregados públicos que perderam seu emprego após o golpe se aproxime dos 140 mil.

Cerca de 50 mil pessoas estão em prisão preventiva, aguardando o julgamento pelos seus supostos vínculos com o golpe. 

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Agência Efe

Istambul

O primeiro ato comemorativo de hoje foi uma sessão especial no Parlamento, na qual o presidente da instituição, Ismail Kahraman, afirmou que "a Turquia nunca mais enfrentará este tipo de calamidade".

O primeiro-ministro, Binali Yildirim, destacou o fracasso do golpe como uma “vitória da democracia” e o comparou à defesa da independência do país na Primeira Guerra Mundial.

O líder da oposição, o social-democrata Kemal Kiliçdaroglu, por sua vez, criticou o fato de não ter ficado claro, de forma indubitável, o papel do braço político dos golpistas.

"Para que não haja mais golpes, os que colaboraram com a organização gülenista e a ajudaram a alcançar posições de relevância no sistema estatal deveriam ser expostos", disse Kiliçdaroglu, em alusão ao próprio Erdogan e a seu partido, o islamista Justiça e Desenvolvimento (AKP, sigla em turco), que até 2013 eram aliados muito próximos da organização de Gülen.

O porta-voz do esquerdista e pró-curdo Partido Democrático dos Povos (HDP), Ahmet Yildirim, afirmou que o tumulto estava sendo explorado para fortalecer o poder de Erdogan e enfatizou que a repressão atual é "igual ou pior do que poderia ter acontecido se o golpe tivesse tido sucesso".

 

*Com Agência Efe

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