Índia vota entre dois 'intocáveis' para presidente

Deutsche Welle
Eleição visa a conquistar os dalits para ampliar base eleitoral do premiê Narendra Modi; cargo de chefe de Estado é meramente representativo, e pleito deve ter pouco impacto para membros da marginalizada casta

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Legisladores e representantes dos estados indianos votaram nesta segunda-feira (17/07) para escolher um novo presidente, numa eleição que o primeiro-ministro Narendra Modi descreveu como "histórica" e que poderá reforçar seu poder. Os dois candidatos são originários da marginalizada casta dalit, historicamente a mais baixa do sistema de castas indiano e cujos membros antigamente eram conhecidos como "intocáveis".


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O resultado da eleição, realizada entre quase cinco mil membros da Lok Sabha (Câmara Baixa), da Rajya Sabha (Câmara Alta) do Parlamento e das assembleias regionais (compostas por representantes dos estados indianos), deverá ser anunciado nesta quinta-feira (20/07).

O ex-governador do estado de Bihar (norte) Ram Nath Kovind é o candidato da frente liderada pelo Bharatiya Janata Party (BJP) de Modi. Ele é considerado o favorito na corrida, por causa do peso do BJP e de seus aliados no colégio eleitoral. Segundo estimativas do próprio partido e da imprensa indiana, Kovind deverá receber cerca de 70% dos votos.

A principal rival do ex-advogado de 71 anos é Meira Kumar, de 72 anos, igualmente uma dalit e ex-presidente do Parlamento da Índia (2009-2014), do qual foi a primeira líder mulher. Filha do ativista Babu Jagjivan Ram, Kumar foi diplomata antes de entrar para a política, em 1985.

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Reuters/A. Dave

O ex-governador do estado de Bihar Ram Nath Kovind, é considerado o favorito na corrida

Tradicionalmente, o eleitorado do BJP é composto pelas castas mais altas do sistema indiano, mas os nacionalistas buscam apoios entre os eleitores da comunidade dalit para ampliar a sua base eleitoral. Conquistar parte dos 200 milhões de dalits (de uma população total de 1,3 bilhão de pessoas), social e economicamente marginalizados, se tornou crucial para Modi. Nas eleições legislativas de 2019, o premiê quer concorrer a um segundo mandato e enfrenta resistência dos eleitores muçulmanos, que compõem cerca de 14% da população indiana.

O posto de presidente é sobretudo representativo na Índia, quem detém o poder é o primeiro-ministro. Mas o presidente pode devolver alguns projetos de lei para reavaliação e também tem papel de orientador nos processos de formação de governos.

Apesar de a Constituição da Índia independente ter abolido oficialmente a discriminação de castas, a comunidade dalit ainda é alvo de preconceito: seus membros costumam ter acesso à educação e outros direitos fundamentais negados, além de serem frequentemente encarregados de trabalhos vistos como "impuros", como a limpeza de excrementos e de cadáveres de animais.

Segundo observadores, a falta de representatividade dos dois candidatos a presidente no seio da comunidade dalit deve fazer com que não haja muitas mudanças em favor de uma das parcelas mais pobres da população no país.

Se for eleito, Kovind será o segundo presidente dalit, após K. R. Narayanan (1997-2002). O 15º presidente desde que a Índia se tornou independente dos britânicos, em 1947, tomará posse de suas funções na próxima terça-feira (25/07), substituindo Pranab Mukherjee.

RK/dpa/afp/efe

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