Acusação de fraude é 'irresponsável' e 'sem fundamento', diz órgão eleitoral da Venezuela

Presidente do CNE, Tibisay Lucena, afirmou que 'não é uma empresa privada, radicada fora do país, que garante a transparência e a credibilidade do sistema eleitoral venezuelano' e denunciou 'agressão permanente' contra Constituinte

A presidente do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) da Venezuela, Tibisay Lucena, classificou como “irresponsável” a afirmação do diretor da empresa Smartmatic, que opera as urnas usadas nas eleições venezuelanas, de que houve fraude no pleito da Assembleia Constituinte, realizado no domingo (30/07).


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“É uma afirmação irresponsável com base em estimativas sem fundamentos sobre os dados manejados exclusivamente pelo CNE”, disse Lucena nesta quarta-feira (02/08) em pronunciamento à imprensa na sede do órgão, em Caracas.

“Se trata de uma opinião sem precedentes por parte de uma empresa cujo único papel no processo eleitoral é de prover certos serviços e suporte técnico que não são determinantes em seus resultados”, acrescentou a presidente do CNE.

A Smartmatic é a empresa responsável pela plataforma tecnológica de votação e serviços para as eleições na Venezuela desde 2004, incluindo a eleição para a Constituinte. Desde Londres, no Reino Unido, o diretor-executivo da companhia, Antonio Múgica, acusou nesta quarta-feira (02/08) o governo venezuelano de manipular os dados de participação no pleito de domingo.

“Estimamos que a diferença entre a quantidade anunciada e a que aponta o sistema é de pelo menos um milhão de eleitores”, disse Múgica em entrevista coletiva à imprensa na capital britânica, sede da empresa. "Uma auditoria permitiria conhecer a cifra exata de participação", acrescentou.

Agência Efe

'Não é uma empresa privada, radicada fora do país, que garante a transparência e a credibilidade do sistema eleitoral venezuelano', disse presidente do CNE

Na segunda-feira (31/07), o CNE anunciou que 8.089.320 pessoas, 41,53% do censo eleitoral venezuelano, votaram na eleição da Assembleia Nacional Constituinte – o voto na Venezuela não é obrigatório.

A presidente do CNE afirmou que “não é uma empresa privada, radicada fora do país, que garante a transparência e a credibilidade do sistema eleitoral venezuelano”. Este “tem uma arquitetura de segurança com procedimentos que deixam nas mãos do cidadão e da cidadã sua validação”, disse Lucena.

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“A empresa Smartmatic participou em todas as auditorias, colocou sua senha para cifrar os arquivos e a proteção dos aplicativos usados na plataforma eleitoral”, seguiu a presidente do CNE, “o que quer dizer que qualquer manipulação, como afirma Mugica, supõe desconhecer que a Smartmatic é parte da segurança do sistema de contagem”.

Lucena afirmou que as declarações da empresa “foram emitidas em um contexto de agressão permanente, iniciado há duas semanas contra o Poder Eleitoral venezuelano que, como se sabe, inclui a sanção por parte do governo dos Estados Unidos contra a minha pessoa, como presidente do CNE, pelo único motivo de organizar uma eleição universal, direta e secreta na qual estavam habilitados para votar todos os venezuelanos e as venezuelanas inscritos no registro eleitoral”, comentou sobre a sanção imposta pelos EUA contra ela e que também afeta 29 funcionários e ex-funcionários do governo venezuelano, inclusive o presidente, Nicolás Maduro.

A presidente do CNE também comentou as agressões que funcionários do órgão sofreram no domingo, quando 1.200 centros de votação tiveram que ser realocados devido a “ataques sistemáticos” de opositores à eleição da Constituinte, “incluindo agressões com granadas e disparos de fuzis”. “Até agora, contamos 181 máquinas de votação queimadas [por opositores]”, disse Lucena.

O CNE “se reserva as ações legais que correspondem a tão irresponsáveis afirmações” e seguirá “defendendo o direito dos venezuelanos de expressar-se em paz e em democracia, e que sua vontade soberana, expressada através do voto, seja respeitada”, concluiu a presidente do órgão.

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