Rússia não aceitará que Coreia do Norte tenha armas nucleares, diz chanceler de Putin

Para Serguei Lavrov, há 'excesso de retórica beligerante' entre Washington e Pyongyang; Rússia espera que 'bom senso prevaleça' e tem 'uma série de propostas', junto com a China, para prevenir o conflito entre EUA e Coreia do Norte

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O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta sexta-feira (11/08) que Moscou não aceitará que a Coreia do Norte possua armas nucleares.


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Lavrov fez a declaração ao comentar na TV russa a escalada da tensão entre o governo de Kim Jong-un e o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos.

Segundo o chanceler, há um excesso de retórica beligerante sobre o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte por parte de Washington e Pyongyang, e a Rússia espera que “o bom senso prevaleça”.

Lavrov observou que a Coreia do Norte assinou em 1968 o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, mas depois, em 2003, se retirou do pacto.

“Agora [a Coreia do Norte] diz que tem o direito legal de produzir armas nucleares e que já o fez. Mas nós sabemos nossa posição: não aceitaremos que a Coreia do Norte possua armas nucleares”, disse o chanceler.

MFA Rússia

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Tanto a Rússia quanto a China têm “uma série de propostas” para prevenir o que poderia se tornar “um dos conflitos mais sérios” e “uma crise com um grande número de vítimas”.

No começo de julho, Vladimir Putin, presidente russo, e Xi Jinping, presidente chinês, se encontraram em Moscou e apresentaram uma proposta para tentar diminuir as tensões na península coreana.

Os dois países pediram à Coreia do Norte que anunciasse de maneira voluntária "uma paralisação dos testes nucleares e de mísseis balísticos" e que "EUA e Coreia do Sul deixem de realizar manobras militares conjuntas em grande escala" na região.

Para Lavrov, o risco de que Washington e Pyongyang se agridam militarmente é alto. “Há ameaças direitas de envio de poder [militar]”, afirmou.

“O lado que é mais forte e mais inteligente” deveria dar o primeiro passo para diminuir as tensões, disse o chanceler russo.

A tensão entre EUA e Coreia do Norte segue elevada desde a posse de Trump, em janeiro passado. 

A novela ganhou novos capítulos nesta semana após o vazamento de relatórios da inteligência dos EUA e do Japão que indicam que a Coreia do Norte teria conseguido miniaturizar uma ogiva nuclear, passo crucial para armar seus mísseis intercontinentais com bombas atômicas.

Trump ameaçou responder com "fogo e fúria", e a Coreia do Norte respondeu anunciando que está planejando atacar Guam, território norte-americano no oceano Pacífico.

A ilha tem uma população de 160 mil pessoas e abriga duas bases militares norte-americanas. O objetivo da ação seria “mandar uma advertência” aos EUA, disse Pyongyang.

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