Aula Pública Opera Mundi: qual é a situação da diplomacia brasileira após o impeachment?

Diego Azzi, doutor em Sociologia e professor da UFABC, explica as mudanças no Itamaraty após o impeachment de Dilma Rousseff

Opera Mundi TV

Na Aula Pública, Diego Azzi explica nova orientação da diplomacia brasileira com Michel Temer na presidência


O impeachment de Dilma Rousseff marcou uma mudança drástica nas Relações Exteriores do Brasil. Depois de anos com o PT (Partido dos Trabalhadores) no poder, Michel Temer impôs uma nova orientação à diplomacia brasileira: o país passou a indicar, com o então ministro das relações exteriores José Serra, a defesa do livre comércio e até mesmo o realinhamento com os EUA. Com a nova ordem, qual é o futuro da diplomacia brasileira?

Diego Azzi, doutor em Sociologia pela USP e professor da UFABC, analisa essa e outras questões na Aula Pública sobre o atual cenário da diplomacia brasileira.

Assista ao primeiro bloco da Aula Pública com Diego Azzi: qual é o atual cenário da diplomacia brasileira


 

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No segundo bloco, Diego Azzi responde perguntas do público da UFABC, em São Bernardo do Campo



Para o especialista, o Brasil passa por um constrangimento internacional resultante do processo que conduziu Michel Temer à presidência e, consequentemente, o PSDB à chancelaria.

"No aspecto doméstico e no aspecto internacional, podemos afirmar que a política externa de Michel Temer está constrangida. O atual governo chega ao poder sem ter a legitimidade do voto popular, recebendo críticas de diversas organizações internacionais. O Itamaraty passa a se pronunciar num tom pouco diplomático, de forma distinta da cordialidade que caracterizou as manifestações públicas brasileiras ao redor do mundo. No front internacional, Temer perde a batalha pela opinião pública sobre o processo doméstico brasileiro. Na mídia e também nos organismos internacionais, o processo que levou Michel Temer ao poder e Serra à chancelaria foi rechaçado", explica Diego Azzi.

Outro aspecto fundamental da nova orientação da diplomacia brasileira, afirma Diego Azzi, foi encerrar uma tradição que vinha se consolidadndo no Itamaraty desde 1985: até 2015, apenas três chanceleres não foram funcionários de carreira.

"A chegada de Michel Temer no poder tem uma característica: na composição de seu governo, trata o Ministério da Relações Exteriores como os demais, ou seja, como um ministério que pode entrar na repartição de cargos que dá sustentação ao governo. O programa implementado por José Serra é bastante similar ao projeto internacional dos anos 1990, marcado pelo realinhamento da posição brasileira com relação aos Estado Unidos", explica.

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