Presidente da Catalunha declara independência, mas suspende seus efeitos para tentar abrir diálogo com Madri

'Com os resultados do 1º de outubro, a Catalunha ganhou o direito de ser um Estado independente. Se todos atuarem com responsabilidade, o conflito pode ser resolver de maneira serena', afirmou Puigdemont

Atualizada às 15h55

O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, declarou a independência da região em discurso no Parlamento nesta terça-feira (10/10), mas, em seguida, suspendeu seus efeitos para tentar abrir negociações com o governo central, em Madri.


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“Com os resultados do 1º de outubro, a Catalunha ganhou o direito de ser um Estado independente. Se todos atuarem com responsabilidade, o conflito pode ser resolver de maneira serena”, afirmou Puigdemont.

Puigdemont afirmou que assume o "mandado do povo" para que a Catalunha se torne um "Estado independente". "As urnas dizem sim à independência, e este é o caminho que estou disposto a percorrer", disse.

Agência Efe

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"Não somos delinquentes, não somos loucos, não somos golpistas. Somos pessoas normais que querem votar. Não temos nada contra a Espanha e os espanhóis, mas a relação não funciona há muitos anos. E nada foi feito para reverter uma situação que se tornou insustentável"

O discurso foi mal recebido pela CUP (Candidatura de Unidade Popular), uma das maiores defensoras da independência, que chamou o discurso de Puigdemont de “traição”.

O premiê espanhol Mariano Rajoy, por sua vez, considerou discurso de Puigdemont, segundo representantes do governo, uma declaração unilateral de independência. Segundo o jornal El País, espera-se que o Palácio de Moncloa ative o artigo 155 da Constituição local, que permite que Madri “adote medidas que julgue necessárias” para fazer com que uma Comunidade Autônoma siga as “obrigações” da Carta Magna. 

"É inadimissível fazer uma declaração implícita de independência para depois deixá-la suspensa de maneira explícita", afirmaram fontes de Madri à Agência Efe.

Na última sexta-feira (06/10), o resultado oficial do referendo apontou que 90,18% dos votantes apoiaram a separação da Catalunha. Uma lei aprovada pelo parlamento regional em setembro deste ano (e posteriormente suspensa pelo Tribunal Constitucional espanhol) determina que, uma vez que os resultados fossem anunciados, a declaração unilateral de independência (DUI) teria um prazo de 48 horas para ser efetivada. O prazo venceu nesta terça.

Pressão

Nas 24 horas anteriores ao discurso, o governo catalão sofreu pressões para não declarar a independência. Nesta segunda (09/10), em um vídeo, a ministra de Assuntos Europeus da França, Nathalie Loiseau, afirmou que o país não reconhecerá o processo de independência catalão, caso ele seja consolidado. No mesmo dia, a prefeita de Barcelona, Ada Colau (Podemos), pediu que Puigdemont e Rajoy que não "tomassem nenhuma decisão" que pudesse "dinamitar a possibilidade de um espaço de diálogo".

Já nesta terça, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu a Puigdemont que não declarasse independência e "respeitasse a ordem constitucional da Espanha". "Hoje, peço ao senhor que respeite a ordem constitucional e que não anuncie uma decisão que tornaria esse diálogo impossível", disse Tusk, em pronunciamento no Comitê das Regiões da União Europeia (UE).

 

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