Entre amor e guerra: pesquisa sugere relacionamento entre neandertais e Homo sapiens no passado

Estudo publicado na revista Science é a segunda análise de alta qualidade feita em genoma neandertal; pesquisa sugere que semelhança entre subespécies é maior do que se pensava

Uma antiga teoria afirmava que o Homo sapiens havia substituído os neandertais de fora da África por meio da guerra. Outra, que os dois não se reproduziram entre si. No entanto, novos dados apontam que ambas as teorias podem estar certas, uma vez que as informações indicam que a relação entre as subespécies foi tanto de amor, quanto de guerra.


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Os neandertais surgiram há aproximadamente 400 mil anos na Europa e no Oriente Médio e estão extintos há 28 mil anos. Mas é principalmente o que ocorreu há cerca de 50 mil anos a fonte de descobertas recentes. Uma equipe internacional de biólogos publicou esta semana na revista norte-americana Science o resultado de uma nova pesquisa envolvendo o genoma de um neandertal. Entre as novas descobertas, eles encontraram indícios de que humanos modernos e neandertais acasalaram muito tempo antes do que se sabia.

Apenas quatro espécimes de neandertal haviam tido seu genoma sequenciado, sendo que apenas um dos casos lançou luz para que algumas questões começassem a ser entendidas.

Wikimedia Commons

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Uma nova análise foi feita com o fragmento de osso de uma fêmea de 52 mil anos, encontrada na Croácia e batizada de Vindija 33.19. Este é o segundo genoma a ser sequenciado com alta fidelidade. O estudo serviu para reafirmar a teoria de que a subspécie se relacionou sexualmente com humanos.

Evidências anteriores

Algumas evidências arqueológicas anteriores apontaram que neandertais conviviam em pequenos grupos dispersos pela Europa e pela Ásia. Os estudos anteriores mostravam também que os neandertais só praticavam relações incestuosas, já que os pais dos espécimes estudados eram meio-irmãos.

A falta de diversidade genética encontrada em Vindija 33.19 reafirma as descobertas de que a espécie vivia isoladamente em pequenas populações. A nova análise, no entanto, mostra que as relações não eram unicamente incestuosas e que elas não aconteciam somente dentro dos grupos isolados.

Outra diferença é que a antiga pesquisa indicava que humanos modernos e neandertais haviam começado a se relacionar há 100 mil anos. A análise do genoma de Vindija 33.19 aponta que essa relação já ocorria entre 130 mil e 145 mil anos atrás. O encontro entre as subespécies poderia ter ocorrido no Oriente Médio ou na península Arábica, antes de os humanos modernos se espalharem para Europa e Ásia.

A análise mostrou também uma semelhança maior entre o genoma de Vindija 33.19 e o de humanos modernos. Alguns desses genes se perderam por meio do processo de seleção natural, mas uma parte permaneceu. A pesquisa demonstra que os Homo sapiens têm entre 1,8% e 2,6% de DNA neandertal, número maior do que indicavam as pesquisas anteriores. Parte desta porcentagem genética que os humanos modernos ainda carregam é responsável por algumas doenças ainda presentes. Os genes dos neandertais estão associados com doenças como distúrbios alimentares, artrite reumatoide, esquizofrenia e acumulação de gordura visceral.

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