Itália: 'Extradição seria me entregar à morte', afirma ex-ativista Cesare Battisti

Governo brasileiro definiu retirar status de refugiado e extraditar o italiano caso habeas corpus seja negado

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O governo de Michel Temer decidiu revogar a condição de refugiado do ex-ativista Cesare Battisti e extraditá-lo caso o Supremo Tribunal Federal (STF) não conceda habeas corpus provisório ao italiano. A estratégia do governo brasileiro é de esperar a decisão do STF sobre o caso. O pedido está na mesa do ministro Luiz Fux, que ainda não informou se levará o caso a seus colegas ou se decidirá de forma monocrática.


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Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Battisti afirmou que extraditá-lo significaria entrega-lo a morte. "Não sabemos em que se baseia o gabinete jurídico da Presidência para que eu possa ser extraditado. Não sei se o Brasil vai querer se manchar sabendo que o governo e a mídia criaram este monstro na Itália. Vão me entregar à morte", disse.

O ex-ativista também negou que estivesse tentando fugir para a Bolívia, onde tentara entrar com o equivalente a mais de R$ 20 mil em moeda estrangeira, e reafirmou que seu objetivo era comprar roupas de couro no país vizinho.

"Estava indo com dois amigos pescar. Um de nós já havia ido lá, conhecia, e decidimos ir em um shopping para comprar casacos de couro, que são mais baratos, vinhos e material para pescar. Foi uma besteira porque a informação que eu tinha era que o shopping não estava em território boliviano, estava numa zona franca", declarou.

Segundo Battisti, "estava tudo preparado" para prendê-lo. "Uma festa na delegacia. Estavam bem contentes, dançavam. Estavam convencidos de que de lá eu iria para a Itália, que não me soltariam", acrescentou.

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O italiano ainda disse que o dinheiro apreendido pela PF não era só dele, mas também dos dois amigos que o acompanhavam. "Se fosse sair do país, não iria para a Bolívia. Tenho mais relações no Uruguai. É um país um pouco mais confiável", reforçou Battisti, que ainda voltou a negar participação em qualquer assassinato.

Agência Efe

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"O que mais me preocupa é a ideia de que não vou mais ver meu filho se acontecer isso [a extradição]. Ele vai fazer quatro anos no dia 13 de novembro. Outra coisa horrível é que não se pode dar a possibilidade a uma pessoa de se reproduzir e se criar em um país legalmente e de repente tirar tudo. Que é isso? É uma coisa horrível. É monstruoso. Não sou clandestino, não estou cometendo atos ilícitos", disse. 

O ex-ativista foi condenado à prisão perpétua na Itália acusado do assassinato de quatro pessoas na década de 1970. Num julgamento à revelia, Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália, em 1993, acusado de quatro assassinatos durante os anos 1970. Exilado, viveu na França e no México antes de fugir para o Brasil, onde foi preso em 2007 e ganhou o status de refugiado no último dia de governo do ex-presidente Lula.

*Com informações da ANSA.

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