Aula Pública Opera Mundi: projeto 'Escola Sem Partido' ameça o livre pensamento?

Doutor em Educação, professor Edson Fasano discute como pluralidade e diversidade correm riscos com o avanço do autoritarismo

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Edson Fasano discute como 'Escola Sem Partido' se configura como um projeto autoritário


Sob a justificativa de fiscalizar a "doutrinação ideológica" na educação, o projeto 'Escola sem Partido', na verdade, representa uma proposta autoritária e pouco democrática. Nesse sentido, deveríamos classificá-los como 'Escola do Partido Único': afinal, em última instância, o que esse grupo combate é a pluralidade do pensamento. Esta é uma das análises de Edson Fasano, historiado e doutor em Educação pela Universidade Metodista, ao responder se A Escola Sem Partido Ameaça o Livre Pensamento, na Aula Pública Opera Mundi.


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"Um movimento que defende a pluralidade de ideias não pode exigir do currículo escolar proibições de temáticas que, no geral, estão diretamente vinculadas aos desafios da contemporaneidade. Nesse sentido, podemos dizer que o 'Escola Sem Partido' dificulta a pluralidade de pensamento, pois eles partem de pressupostos totalitários. Ou seja, a ideia de uma sociedade única, de uma história única", afirma Fasano.

Assista ao primeiro bloco da Aula Pública com Edson Fasano: 'Escola Sem Partido' Ameaça o Livre Pensamento?

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No segundo bloco, o professor Edson Fasano responde perguntas do público na Universidade Metodista. 

Uma das tensões provocadas pelo projeto 'Escola Sem Partido' diz respeito à educação familiar. Por exemplo, na perspectiva dos partidários do movimento, questões de gênero devem ser tratadas no âmbito familiar, não no currículo escolar. Além disso, relações étnico-raciais, indígenas e de movimentos sociais são, no geral, ideológicas e partidárias. Logo, não devem permear o cotidiano de professores e estudantes.

"Eles [Escola Sem Partido] defendem uma diferença entre educação e escolarização. Esta significa um mecanismo - ou uma ferramenta - para a formação dos cidadãos para o mercado de trabalho. Já a educação, numa perspectiva mais ampla, não é papel do Estado, mas sim da família. Essa ideia, podemos dizer, desrespeita o artigo 205 da Constituição: 'a educação brasileira é um direito do cidadão, e um dever do Estado e da família'. Logo, nossa lei prevê que a formação é uma corresponsabilidade entre as partes e a educação não deve ser unidirecional, mas sim ser direcionada para a cidadania e para o mundo do trabalho", explica Fasano.

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