Ex-presidente Sebastián Piñera e Alejandro Guillier, candidato de Bachelet, vão ao 2º turno no Chile

População do país foi às urnas para escolher, além do sucessor da atual mandatária, Michelle Bachelet, senadores, deputados e conselheiros regionais

Atualizada às 22h32

O ex-presidente Sebastián Piñera e o senador governista Alejandro Guillier vão disputar o segundo turno nas eleições presidenciais chilenas, confirmou neste domingo (19/11) o Servel (Serviço Eleitoral do Chile). A população do país escolheu, além do sucessor da atual mandatária Michelle Bachelet, senadores, deputados e conselheiros regionais. Do total de eleitores aptos a votar, 43% foram às urnas.


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Guillier superou a candidata Beatriz Sánchez, da Frente Ampla, por uma diferença mais apertada do que a prevista pelas pesquisas. O segundo turno está previsto para o dia 17 de dezembro.

Nesta eleição, a Nova Maioria rompeu e, pela primeira vez desde o fim da ditadura militar, alguns de seus partidos apresentaram candidatos próprios à presidência, efetivamente encerrando a aliança que levou todos os presidentes chilenos entre 1990 e 2010 ao poder: Patricio Aylwin, Eduardo Frei (democratas-cristãos), Ricardo Lagos e Michelle Bachelet (socialistas). Esta também foi a primeira eleição desde o fim da ditadura em que chilenos residentes no exterior puderam votar.

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Piñera

"Recebemos de forma forte e clara a voz dos chilenos. Foi um grande resultado eleitoral", afirmou Piñera, em discurso logo após ser confirmado no segundo turno.

Presidente entre 2010 e 2014, justamente entre os dois mandatos da líder socialista, o empresário de 67 anos liderava as pesquisas com cerca de 35% das intenções de voto, apesar de ter deixado o poder com sua avaliação em baixa. Tido como um dos homens mais ricos do país, Piñera é dono de um patrimônio estimado em US$ 2,7 bilhões, segundo a revista "Forbes".

Patricio Alarcón/Flickr CC

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Com diploma em engenharia comercial pela Pontifícia Universidade Católica do Chile e PhD em economia pela Universidade de Harvard, fundou uma empresa de cartões de crédito em 1976 e foi dono da emissora de TV Chilevisión, de 26% da companhia aérea LAN (que viria a se fundir com a TAM) e do Colo-Colo, clube de futebol mais popular do país.

Ao ser eleito presidente, se desfez dessas participações e confiou parte de sua fortuna a um "blind trust", fundo que administra ativos sem a interferência de seus proprietários, mas acusações de conflito de interesses permeiam sua vida na política. Seu período no poder também foi marcado pelo acidente que soterrou 33 trabalhadores em uma mina a 700 metros de profundidade em San José.

O incidente, ocorrido em agosto de 2010, causou comoção mundial, especialmente no resgate dos mineiros, realizado mais de dois meses depois. Seu governo, iniciado em março daquele ano, também teve de lidar com a reconstrução das zonas destruídas pelo terremoto de magnitude 8,8 na escala Richter que matara mais de 500 pessoas no centro do país em fevereiro.

Guillier

O jornalista Alejandro Guillier terá o desafio de superar a grande diferença de votos entre e Piñera. Ele se coloca como defensor do legado de Bachelet e promete focar seu eventual governo nas conquistas sociais dos últimos anos. Entre seus principais motes da campanha, está o aprofundamento da reforma na educação, iniciada por Bachelet em seu segundo mandato, e a alteração da Constituição herdada da ditadura de Pinochet (1973-1990).

Antes de se candidatar à Presidência, Guillier, 64 anos, contava com três décadas de jornalismo televisivo e de rádio, tendo atuado desde a produção de matérias até a apresentação de telejornais. Uma das ironias da campanha de 2017 é que, durante três anos, o candidato da centro-esquerda trabalhou na emissora Chilevisión, que tinha Piñera como dono.

Na política há apenas quatro anos, o também sociólogo busca usar sua popularidade como forma de angariar votos. Guillier tornou-se senador em 2014 e sempre contou com um forte apoio do Partido Radical, que faz parte da coalizão governista. Ele disputaria as primárias da Nova Maioria, mas a votação acabou cancelada após a retirada da candidatura do ex-presidente Ricardo Lagos e a decisão da Democracia Cristã de lançar Carolina Goic como sua postulante ao Palácio de la Moneda.

(*) Com Ansa

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