Trump deve reconhecer Jerusalém como capital de Israel nesta quarta

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Presidente dos EUA anunciou sua decisão para líderes do Oriente Médio nesta terça; mudança era promessa de campanha

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A decisão de Trump bate de frente com a posição dos principais aliados dos EUA e da comunidade internacional. Ela é vista por especialistas como um enorme complicador aos já difíceis esforços pela paz na região. Os palestinos também reivindicam Jerusalém como capital nacional.


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Por questões logísticas, ainda não há uma data fechada, e, pelo menos nos próximos seis meses, a embaixada dos EUA em Israel seguirá em Tel-Aviv. A mudança está sendo percebida como a mais arriscada movimentação da administração Trump em uma região que é um barril de pólvora.

Além de protestos em todo o mundo árabe, que começam hoje e devem durar pelo menos mais três dias, aumentaram os riscos de conflitos armados. Jerusalém é uma cidade sagrada para judeus, árabes e cristãos, e sua divisão entre Israel e a Autoridade Palestina sempre foi considerada condição para a existência de dois estados na Terra Santa.

Guinada radical

O anúncio brusco de Trump está sendo interpretado como um sinal claro de que a atual Casa Branca não acredita na solução bipartite, em uma guinada radical na política externa americana, jogando por terra quase sete décadas de diplomacia da maior potência militar do planeta em uma área de enorme importância simbólica para os americanos.

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Além da significativa população de origem judaica no país, os evangélicos, nas últimas décadas, vêm se organizando em lobbys que pressionam Washington a assumir uma postura ainda mais próxima de Israel. Como eles formam um bloco importante e homogêneo nas eleições, a decisão de Trump, que teve a preferência maciça da direita cristã nas eleições do ano passado, agrada um dos grupos mais importantes de sua coalizão política em um momento em que o presidente aparece com índices recordes de rejeição entre os eleitores.

Protestos

Este é o receio dos diplomatas americanos em todo o mundo. A convocação é para que muçulmanos, e não apenas árabes, protestem na frente das embaixadas e consulados dos EUA mundo afora. O consulado americano em Jerusalém já proibiu que funcionários e familiares de diplomatas visitem a Cidade Antiga, onde fica uma das mais importantes mesquitas do islamismo, e a Cisjordânia.

A segurança dos postos diplomáticos americanos em todo o planeta foi reforçada. Com a exceção do governo de Benjamin Netanyahu, que se manteve discreto sobre a decisão de Washington, da direita nacionalista israelense e de grupos evangélicos nos EUA, o consenso nos mundos ocidental e árabe é a de que a decisão de Trump é uma tragédia para o processo de paz.

A percepção é a de que a Autoridade Palestina irá reagir hoje se retirando oficialmente das negociações até que os EUA revejam sua posição. Os principais líderes europeus aconselharam Trump a não tomar uma decisão deste porte de forma unilateral, mas não foram ouvidos.

Especialistas em Oriente Médio dos dois lados do Atlântico também foram unânimes em detectar na ação de Trump, voltada para interesses internos, um retrato de uma nova América, que estaria deixando um vácuo, diminuindo sua importância no tabuleiro internacional de forma perigosa.

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