Líderes condenam decisão de Trump de reconhecer Jerusalém

Deutsche Welle
Comunidade internacional rechaça transferência de embaixada norte-americana para cidade disputada, alertando para riscos à estabilidade da região; ONU destaca que medida unilateral põe em xeque perspectiva de paz

Líderes de todo o mundo reagiram com críticas, nesta quarta-feira (06/12), à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de transferir a embaixada norte-americana em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo, assim, a cidade disputada como capital do governo israelense.


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O anúncio, realizado em aguardado discurso na Casa Branca, é contrário ao posicionamento dos aliados árabes e ocidentais de Washington, que nos últimos dias já vinham proferindo alertas a Trump de que a medida colocaria em risco uma futura solução de paz no Oriente Médio.

Israel foi o único governo a manifestar apoio à medida, descrevendo-a como "justa e corajosa". "A decisão do presidente é um passo importante para a paz, porque não há paz que não inclua Jerusalém como capital do Estado de Israel", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Confira as reações de outros líderes, grupos e entidades internacionais:

Autoridade Nacional Palestina

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, afirmou que, ao reconhecer a cidade disputada como capital israelense, Trump abdicou de seu papel como mediador da paz no Oriente Médio. "Jerusalém será a capital eterna do Estado da Palestina", disse o líder em discurso na televisão.

Abbas adiantou que a liderança palestina se reunirá nos próximos dias e consultará os líderes árabes para formular uma resposta adequada à decisão do presidente americano.

Hamas

"Esta decisão vai abrir os portões do inferno para os interesses norte-americanos na região", declarou Ismail Radwan, do movimento palestino Hamas. O grupo, que controla a Faixa de Gaza, havia dito antes do anúncio que um reconhecimento de Jerusalém como capital ameaçaria iniciar uma nova Intifada (levante popular dos palestinos da Cisjordânia contra Israel).

Nações Unidas

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o reconhecimento, alertando que o status de Jerusalém deve ser resolvido por meio de negociações diretas entre israelenses e palestinos.

"Desde o primeiro dia como secretário-geral das Nações Unidas, eu tenho consistentemente contestado qualquer medida unilateral que possa colocar em perigo a perspectiva de paz para o conflito israelo-palestino", disse Guterres.

União Europeia

O bloco econômico europeu reagiu ao anúncio de Trump expressando "preocupações sérias". "As aspirações de ambas as partes [no conflito israelo-palestino] devem ser cumpridas e, por meio de negociações, deve ser encontrada uma maneira de resolver o status de Jerusalém como a futura capital dos dois Estados", declarou a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini.

França

O presidente francês, Emmanuel Macron, descreveu o passo de Washington como uma "decisão lamentável que a França não aprova". A medida, segundo o líder, "viola as leis internacionais e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU".

Macron acrescentou que o status de Jerusalém "terá que ser determinado por israelenses e palestinos em negociações sob a tutela das Nações Unidas".

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Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel e transfere embaixada dos EUA para a cidade

 

Reuters/A. Awad

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Reino Unido

"Não concordamos com a decisão dos EUA de transferir sua embaixada para Jerusalém e de reconhecer a cidade como capital israelense. Acreditamos que [a medida] não ajudará em termos de perspectivas de paz na região", afirmou a primeira-ministra britânica, Theresa May, em comunicado.

Jordânia

O governo em Amã seguiu o mesmo tom, afirmando que a "decisão do presidente americano de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e transferir a embaixada para essa cidade constitui uma violação das decisões do direito internacional e da Carta das Nações Unidas".

Egito

"Decisões unilaterais como essa violam as resoluções de legitimidade internacional e não mudarãao o status legal da cidade de Jerusalém", disse o Ministério do Exterior egípcio. "O Egito está extremamente preocupado com os possíveis efeitos dessa decisão para a estabilidade da região."

Nesta quarta-feira, o presidente do país, Abdel Fattah al-Sisi, recebeu uma ligação do líder palestino, Mahmoud Abbas, para discutir as repercussões da medida americana. Sisi expressou a rejeição do Egito à decisão e a "qualquer implicação resultante dela", diz uma nota da presidência.

Líbano

Em comunicado, o presidente libanês, Michel Aoun, também disse que a atitude de Trump é perigosa e ameaça a credibilidade dos Estados Unidos como intermediário no processo de paz na região. A decisão coloca em risco a estabilidade regional e, talvez, a estabilidade mundial, acrescentou.

Catar

Para o ministro do Exterior do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é uma "escalada perigosa", que representa a sentença de morte para uma solução de paz. Segundo ele, o emir Tamim bin Hamad al-Thani alertara Trump sobre as implicações sérias de tal decisão, em conversa anterior por telefone.

EK/ap/efe/rtr/dpa/afp

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