Portugal investiga denúncia de que Universal mantinha rede ilegal de adoção no país

Segundo reportagem, netos de Edir Macedo, líder da IURD, foram levados de Lisboa sem consentimento da mãe biológica; 'TVI pretende promover uma campanha difamatória', disse a Igreja em comunicado

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O Ministério Público de Portugal abriu um inquérito sobre uma suposta rede de adoção ilegal mantida pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no país. A informação, divulgada na segunda-feira (11/12) pela Agência Lusa, veio no mesmo dia em que a emissora portuguesa TVI iniciou uma série de reportagens sobre o suposto esquema, que levava crianças ao Brasil sem consentimento das mães biológicas.


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A reportagem da emissora portuguesa afirma que os netos do líder da IURD, Edir Macedo, foram levados de Portugal em 1995 sem a autorização da mãe das crianças ou qualquer procedimento judicial. Vera, Luís e Fábio, filhos adotivos de Viviane Freitas, filha de Macedo, tinham 3 anos, 2 anos e 9 meses, respectivamente, quando foram retirados de um abrigo em Lisboa que era mantido pela Igreja Universal. 

Criado em 1994 na capital portuguesa, o abrigo acolhia crianças cujas mães não tinham condições financeiras ou legais para cuidar de seus filhos. A instituição só foi regularizada em 2004, tendo encerrado as atividades em 2011. Maria, apresentada pela reportagem como mãe biológica das crianças levadas pela Universal, foi afastada dos filhos após denúncia de deixava as crianças sozinhas enquanto ia trabalhar.

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"Eles disseram que iam me ajudar a ter condições de voltar a tê-los e eu acreditei que sim, pois a única coisa que eu precisava na época era uma creche pra eu poder trabalhar e eles estarem em segurança, era só isso que eu precisava", disse Maria à reportagem. A mulher ainda afirma que nunca deu seus filhos à adoção e esperava que eles voltassem a morar com a mãe assim que a situação financeira melhorasse.

Segundo a emissora, além dos três netos de Macedo, outras crianças que moravam no abrigo em Lisboa foram levadas por bispos e pastores da Igreja na mesma época. A onda de adoções ligadas a pessoas da IURD se deu por conta da orientação do próprio bispo Edir Macedo, que, após obrigar os pastores homens a realizarem a cirurgia de vasectomia, forçou os casais a adotar. 

A reportagem ainda traz o depoimento de Alfredo Paulo Filho, ex-bispo da Universal, e de sua esposa, Teresa Paulo, que alegam terem sido forçados a adotar uma criança contra a vontade do casal. "O bispo começa a incentivar a adoção, ao ponto de impor que eu adotasse, por que eu não queria adotar, nem a minha mulher", diz o ex-integrante da IURD. "'Se você não adotar eu vou tirar você de lá, por que eu não estou pedindo, eu estou mandando' o bispo falou", completa Alfredo, contando como o casal foi forçado a realizar a prática da adoção.

Igreja

Em comunicado divulgado na segunda-feira (11/12), a IURD nega todas as acusações e afirma que "a TVI pretende promover uma campanha difamatória, mentirosa e que não podemos tolerar". A nota ainda alega que toda a reportagem foi feita baseada no depoimento do ex-bispo Alfredo Paulo Filho, que, segundo a Igreja, "tem promovido uma campanha altamente caluniosa e falsa, fazendo tábua rasa do acordo que havia assinado, quer relativo à Universal, quer relativo aos seus bispos, pastores e colaboradores, questionando toda a comunidade da Igreja Universal".

Vera e Luís, os netos adotivos de Macedo, gravaram um vídeo em que condenam a reportagem feita pela emissora portuguesa e afirmam que "a TVI está dizendo coisas a nosso respeito que não são verdadeiras. Disseram que fomos raptados pela cúpula da Igreja Universal. Nós não fomos raptados, fomos adotados de forma legal por uma família americana e vivemos até os nossos 20 anos com esta família nos Estados Unidos".

Wikimapia/Flickr CC

Igreja Universal é acusada de participar de esquema ilegal de adoção de crianças

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