Aula Pública com Jean Pierre Chauvin: o que Machado de Assis diz sobre a escravidão brasileira?

Professor da ECA-USP analisa 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' e evidencia tensões sociais no Brasil que permanecem nos dias atuais

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Na Aula Pública, Jean Pierre analisa como 'Memórias Póstumas de Brás Cubas' reúne elementos para explicar escravidão brasileira


Por vezes dissimulado e provocativo, Machado de Assis foi um dos autores que melhor tratou de questões sensíveis à sociedade brasileira, como, por exemplo, o racismo. Ironia e sarcasmo estão presentes na obra do escritor ao explorar aspectos psicológicos e subjetivos de personagens escravizados. "Memórias Póstumas de Brás Cubas" sinteza essa perspectiva de trabalho. Mas, afinal, como 'Negro Prudêncio' e outros personagens revelam a crueldade e a violência da elite brasileira? O que Machado de Assis nos diz sobre a escravidão? 


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Essas são questões que Jean Pierre Chauvin, doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada e professor da ECA-USP, responde na Aula Pública Opera Mundi. Para o especialista, "Memórias Póstumas de Brás Cubas" desvela em capítulos a perversão das relações sociais assimétricas no Brasil.

"É possível identificar tipologias sociais no romance e essas diferenças sociais fazem a tensão da obra avançar. As relações entre os personagens são tênues e superficiais, mas com uma fachada de elegância com pessoas que sabem tricotar, bordar, tocar piano, falar outras línguas, viajar para Europa etc. Isso nos lembra muito do Brasil que sobrou de hoje: fachadas, máscaras sociais, um Estado muito violento que naturalizou a escravidão até o fim do século 19 — e, que pelo jeito, está com saudades", provoca Chauvin.

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Assista ao primeiro bloco da Aula Pública com Jean Pierre Chauvin: O Brás Cubas, de Machado de Assis, diz sobre a escravidão

No segundo bloco, Jean Pierre Chauvin responde perguntas do público da Universidade Anhembi Morumbi 



"Brás Cubas tem uma percepção de um homem que é acima das leis, portanto de alguém que está acima das regras de trabalho e a escravidão é uma questão menor. O próprio nome de um dos seu escravos, Prudêncio, é sugestivo, afinal um escravo nada poderia ser além de uma "prudência". O personagem narra alguns trechos significativos, como, por exemplo, que montava em Prudêncio como se fosse um jumentinho. Ou seja, na estreita pirâmide brasileira, tratar escravos como animais é justificável e naturalizado pela classe social que se ocupa", explica Chauvin.

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