Amarga experiência chilena deve servir de lição para os embates de 2018 na América Latina

Observando de fora, constatamos que a direita polarizou o voto centrista, ao passo que as forças progressistas revelaram debilidades fatais

Esteja sempre bem informado
Receba todos os dias as principais notícias de Opera Mundi

Receba informações de Opera Mundi

O magnata direitista Sebastián Piñera foi eleito neste domingo para mais um mandato presidencial no Chile. Obteve 54,5% dos votos, contra 45,5% do seu adversário, o jornalista e senador Alejandro Guillier, da coalizão governamental de centro-esquerda. A abstenção, de 52%, claramente foi um fator que pesou no resultado final. Piñera se impôs em centros estratégicos, como a capital Santiago, onde a abstenção fez a diferença.


Clique e faça agora uma assinatura solidária de Opera Mundi

A vitória da direita no Chile torna ainda mais nebuloso o quadro político na região, onde as forças conservadoras já estão no poder em países como Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Peru, México, para citar os mais importantes. Um cenário perigoso para os movimentos e governos revolucionários.

As forças progressistas chilenas se debruçarão sobre o resultado e retirarão as lições da derrota.

Observando de fora, porém, constatamos que a direita polarizou o voto centrista, ao passo que as forças progressistas revelaram debilidades fatais.

Seremos oposição com Piñera ou Guillier, diz ex-candidata da Frente Ampla no Chile

Ex-presidente Sebastián Piñera vence segundo turno e volta ao cargo no Chile

Alejandro Guillier reconhece derrota no segundo turno do Chile

 

Twitter/@guillier

A atual presidente, Michelle Bachelet, com Alejandro Guillier

A centro-esquerda foi, a rigor, mais centro do que esquerda. Carregava o desgaste do governo cessante da presidenta Michelle Bachelet. Na campanha eleitoral não consegui transmitir uma mensagem de esperança, avanço e luta. Iludiu-se com a quimera de uma vitória pelo caminho da moderação e do compromisso. Não empolgou.

Por seu turno, a nova esquerda radical, organizada na Frente Ampla, que se tornou retumbante fenômeno eleitoral no primeiro turno, negou-se a pronunciar-se claramente em favor de Alejandro Guillier. Não fez campanha no segundo turno, optou por um deplorável e daninho absenteísmo, limitando-se a vagas declarações de voto por parte de alguns dos seus líderes.

Uma amarga experiência a demonstrar que para vencer a esquerda precisa de nitidez programática e postura de luta, sob pena de confundir-se com as forças conservadoras e deixar o povo na desesperança. Acima de tudo, impõe-se a unidade democrática, progressista, popular, patriótica, pois vai ficando evidente que a fragmentação da esquerda pavimenta o caminho da derrota do povo.

Em 2018 teremos importantes embates eleitorais na América Latina. Fica a dica. Que as forças progressistas sejam capazes de tirar as lições pertinentes.

(*) Jornalista, editor do Resistência

Outras Notícias

X

Assine e receba as últimas notícias

Receba informações de Opera Mundi

Destaques

Publicidade

Faça uma pós agora!

Faça uma pós agora!

A leitura literária é um fator importante na construção de relações humanas mais justas. Do mesmo modo, a formação de leitores críticos é imprescindível para a constituição de uma sociedade democrática.

Por isso, torna-se cada vez mais urgente a abertura de novos e arejados espaços de interlocução qualificada entre os sujeitos que atuam nesse processo, em diversos contextos sociais.

A proposta do curso é proporcionar, por meio de discussões abrangentes e aprofundadas sobre a formação do leitor literário, uma reflexão ancorada principalmente em três áreas do conhecimento: a teoria literária, a mediação da leitura e a crítica especializada.

Leia Mais

A revista virtual
desnorteada

O melhor da imprensa independente

Mais Lidas

Últimas notícias

Os supersalários das Forças Armadas

Nossa reportagem levantou todos os salários de militares e encontrou centenas acima do teto, indenizações de mais de R$ 100 mil e valores milionários pagos no exterior