Após vitória separatista na Catalunha, Puigdemont propõe diálogo com Rajoy; premiê recusa

'Com quem eu teria de me sentar é com quem ganhou as eleições, que é a senhora [Inés] Arrimada', afirmou primeiro-ministro espanhol

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Um dia após os separatistas vencerem as eleições regionais da Catalunha – obtendo maioria no Parlamento -, o presidente destituído da região, Carles Puigdemont afirmou nesta sexta-feira (22/12) que está disposto a dialogar com o premiê espanhol Mariano Rajoy -  em uma reunião no exterior e sem pré-condições. Rajoy recusou a oferta.


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"Estou disposto a encontrar-me em Bruxelas, ou em qualquer outro lugar da União Europeia (UE) que não seja o Estado espanhol, por razões óbvias, com o senhor Rajoy", disse Puigdemont, em Bruxelas, onde está asilado.

Além disso, o líder catalão disse estar aberto a voltar para seu país de origem caso tenha garantia de que permaneceria chefe de um possível novo governo da Catalunha.

Em pronunciamento hoje, Rajoy disse que fará esforços para dialogar com o governo que será formado na Catalunha. No entanto, ele recusou o encontro com Puigdemont. "Com quem eu teria de me sentar é com quem ganhou as eleições, que é a senhora [Inés] Arrimada", disse ele, em referência à líder do partido Cidadãos, que saiu com mais votos e assentos no Parlamento.

Arrimada, no entanto, disse, em pronunciamento pela manhã, que renuncia ao direito de tentar formar governo até que haja uma posição clara entre os independentistas.

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Twitter/Reprodução

Puigdemont fez proposta de diálogo "sem pré-condições" a Rajoy, que recusou

"Essa reconciliação deve ser o primeiro trabalho de quem governar. Confio que na Catalunha se abra agora uma etapa baseada em diálogo e não no confronto e na unilateralidade", disse Rajoy.

"Aos cidadãos da Catalunha, digo que farei um esforço para dialogar com o governo que sair na Catalunha, mas espero que abandonem as decisões unilaterais e não se coloquem acima da lei. Farei tudo que estiver às minhas mãos, mas não aceitarei que ultrapassem a lei, a Constituição e o estatuto", acrescentou.

Bruxelas

Puigdemont está vivendo em Bruxelas desde outubro, quando Rajoy ativou o artigo 155 da Constituição espanhola e destituiu o governo regional após um referendo considerado ilegal e da proclamação de independência da Catalunha. Desde então, muitos membros de seu gabinete foram presos enquanto aguardam uma investigação sobre a tentativa de independência.

As eleições de terça (21/12) foram marcadas pelo próprio governo espanhol. O partido de Rajoy, o PP (Partido Popular), conseguiu apenas 4 dos 135 assentos do parlamento regional.

Os três partidos que defendem a independência, Junts per Catalunya, liderado por Puigdemont, a Esquerda Republicana (ERC), do ex-vice-presidente Oriel Junqueras, e a Candidatura de Unidade Popular (CUP), conquistaram 70 cadeiras do parlamento - duas a mais do que é necessário para garantir a maioria absoluta na Casa. Juntos, os partidos obtiveram 95.000 votos a mais do que na eleição de 2015

(*) Com Ansa

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