Venezuela declara embaixador do Brasil em Caracas 'persona non grata'; ato equivale à expulsão

Informação foi dada pela presidente da ANC, Delcy Rodríguez; Itamaraty diz que irá aplicar 'medidas de reciprocidade correspondentes'

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Atualizada às 18h55

O embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, foi declarado “persona non grata” pela Assembleia Nacional Constituinte do país, anunciou neste sábado (23/12) a presidente do órgão, Delcy Rodríguez. A medida significa, na prática, a expulsão do representante diplomático do país. O encarregado de negócios do Canadá, Craib Kowalik, sofreu a mesma sanção.


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"Decidimos declarar persona non grata o embaixador do Brasil até que se restitua o fio constitucional que o governo de facto [de Michel Temer] vulnerou neste país irmão", disse Rodríguez. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Pereira está no Brasil e, enquanto a declaração não for sustada, ele não pode voltar a Caracas.

Já contra o canadense, a presidente da ANC disse que o título de "persona non grata" foi dado “por sua permanente, insistente, grosseira e vulgar intromissão nos assuntos internos da Venezuela”.

Em comunicado, o Itamaraty afirmou que, "caso a declaração seja confirmada", a decisão demonstrará “uma vez mais o caráter autoritário da administração Nicolás Maduro e sua falta de disposição para qualquer tipo de diálogo. O Brasil aplicará as medidas de reciprocidade correspondentes.”

Segundo a Convenção Internacional de Viena sobre Relações Consulares, documento que rege os órgãos diplomáticos, declarar um representante de outro país como "persona non grata" equivale a determinar que a nação emissora o retire da receptora.

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AVN

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Canadá

Em outubro, o chanceler venezuelano, Jorge Arreza, entregou pessoalmente a Kowalik uma carta em que protestava contra o que Caracas chama de “ingerência” de Ottawa nos assuntos internos do país.

O governo canadense que não iria reconhecer os resultados da eleição regional, na qual o chavismo conquistou 18 de 23 Estados. A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, afirmou na oportunidade, em um comunicado, que seu país estava "muito preocupado com as ações do regime venezuelano para dificultar a realização de eleições livres e justas, especialmente via o controle anticonstitucional do Conselho Nacional Eleitoral (CNE)".

Na resposta, Arreaza disse que “o governo bolivariano jamais se meteu nos assuntos internos dos canadenses”. Na época, o presidente Nicolás Maduro chamou para consultas o embaixador venezuelano no Canadá, Wilmer Barrientos, em um gesto considerado de alta voltagem diplomática.

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