Trump ameaça cortar ajuda financeira à Palestina, e líderes da região falam em 'chantagem'

Presidente norte-americano afirmou que palestinos 'não querem negociar acordo de paz'; declaração de Trump gerou reações imediatas

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Em mais uma polêmica com os palestinos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (03/12) que cortará o envio de dinheiro para a região caso a Autoridade Nacional Palestina (ANP) se negue a negociar com Israel sobre um acordo de paz.


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"Pagamos aos palestinos centenas de milhões de dólares ao ano e não recebemos nenhuma apreciação ou respeito. Não querem sequer negociar um acordo de paz com Israel necessário há muito tempo.

Nós tiramos Jerusalém da mesa, a parte mais dura da negociação, mas Israel vai pagar a mais por isso. Mas, com os palestinos não desejando mais as conversas de paz porque temos que dar maciços pagamentos no futuro?", escreveu Trump em sua conta no Twitter.

A fala ocorreu porque a ANP, e os diversos grupos palestinos, informaram que não reconhecem mais os EUA como mediadores do acordo de paz após o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. A decisão anunciada em 6 de dezembro gerou uma onda de revolta não apenas entre os palestinos, mas em todo o mundo islâmico e em órgãos internacionais de alto nível, como a Organização das Nações Unidas e a União Europeia.

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Todos condenaram a decisão norte-americana porque, em nenhum momento, ela menciona a chamada "Jerusalém Oriental", considerada pelos palestinos como sua capital. Para todos, a decisão sobre a cidade sagrada para os religiosos seja definido, apenas, nas conversas de paz entre os dois lados.

Reações

No entanto, assim que a mensagem foi publicada por Trump, a reação do lado palestino foi dura. Para um dos diretores da Organização para a Liberação da Palestina (OLP), Hanan Ashrawi, os palestinos "não vão aceitar as chantagens de Trump" sobre o processo de paz.

Segundo o líder, o reconhecimento dado pelos EUA a Israel, "Trump destruiu com um tiro só os fundamentos da paz" na região.

"Ele sabotou nosso compromisso pela paz, pela liberdade e pela justiça", destacou Ashrawi.

Já o porta-voz do grupo Hamas, Fawzi Barhum, afirmou que o mandatário "adotou contra o povo palestino uma chantagem política muito baixa, com um comportamento bárbaro e imoral". No entanto, na Faixa de Gaza a preocupação do corte de fundos gerou muita preocupação na questão humanitária porque os EUA são um dos principais apoiadores da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), com valores na casa dos US$ 300 milhões por ano.

De acordo com dados dos próprios líderes palestinos, a agência ajuda - direta ou indiretamente - mais da metade da população de Gaza. Através de nota, a UNRWA informou que não foi notificada de nenhuma mudança de postura de Washington.

A atitude do magnata dividiu até mesmo os israelenses. O ex-embaixador de Israel em Washington e atualmente vice-ministro, Michael Oren, concordou com as afirmações, dizendo que "finalmente, há na Casa Branca um presidente que compreende o Oriente Médio".

No entanto, a ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni, que atualmente está na oposição ao governo israelense, afirmou que se o "governo local fosse responsável, teria discretamente explicado a Trump qual é o verdadeiro interesse de Israel, que inclui intervenções para impedir uma crise humanitária em Gaza".

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