EUA atacaram antes de Opaq checar suposto uso de armas químicas, diz Rússia

Especialistas da Organização Para a Proibição das Armas Químicas estão na Síria para apurar suposto ataque; uso de armamento químico ainda não foi comprovado

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, criticou neste sábado (14/04) o ataque coordenado pelos Estados Unidos, França e Reino Unido contra a Síria. Segundo ele, o bombardeio ocorreu antes que os especialistas da Organização Para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) pudessem dar um parecer tecnico sobre o caso.


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“Os inspetores da Opaq, que haviam chegado a Beirute (Libano), ainda teriam que se deslocar para o suposto local dos eventos”, afirmou Lavrov ao Conselho de Política Externa e Defesa da Rússia. Moscou nega que o ataque químico tenha ocorrido.

A missão enviada para investigar o caso só chegou a Damasco neste sábado, um dia depois do bombardeio, segundo informou a própria organização em sua conta no Twitter. “A equipe FFM (Missão para Encontrar Provas) chegou a Damasco, na Síria, para começar seu trabalho”, afirmou a Opaq.

O ataque

EUA, França e Reino Unido lançaram mísseis contra a Síria na noite desta sexta-feira (13/04). O bombardeio é uma resposta ao suposto ataque químico que teria ocorrido em Duma, o último reduto insurgente de Ghuta Oriental, no último sábado (07/04). 

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O bombardeio começou por volta das 04h00 da madrugada na Síria (22h00 de sexta-feira em Brasília), no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciava a ação.

Os ataques focaram três alvos. O primeiro deles foi o centro de pesquisa e desenvolvimento Barzah, localizado na região da grande Damasco. O motivo é a suspeita de que o governo sírio usava o local para fazer testes envolvendo armamentos químicos. Ao todo, 76 mísseis foram lançados em direção ao centro de pesquisa, que foi considerado o principal alvo dos EUA.

O segundo foi um armazém próximo a cidade de Homs, que fica na região oeste. Segundo o governo norte-americano, o local supostamente serviria como um depósito de gás sarin e de equipamentos para produção de armas biológicas. O armazém foi alvo de 22 disparos.

Por fim, sete mísseis foram lançados na direção de um bunker em Him Shinshar, em Homs. O local seria um depósito de armamentos químicos, além de supostamente servir como posto de comando. Todos os mísseis usados foram lançados de navios posicionados no Mar Vermelho, Golfo Pérsico e Mediterrâneo. Aviões também foram usados durante o ataque.

Mísseis interceptados

Segundo o chefe da Direção-Geral Operacional do Estado-maior das Forças Armadas da Rússia, Serguei Rudskoi, 71 dos 105 mísseis foram interceptados pelo sistema antiaéreo da Síria. Rudskoi informou também que os aeródromos do país não foram atingidos pelo bombardeio.

Segundo ele, o sistema de defesa antiaérea “controlou todos os lançamentos de mísseis, tanto de portadores navais como aéreos dos EUA e do Reino Unido”.

“Consideramos que este ataque não é uma resposta ao alegado ataque químico, mas uma reação ao sucesso das Forças Armadas sírias na luta contra o terrorismo internacional”, afirmou Rudskoi.

Também segundo ele, o ataque teve como objetivo interromper o trabalho dos especialistas da Opaq. “O ataque foi realizado no mesmo dia em que a missão especial para investigação do incidente na cidade de Duma, onde alegadamente tinham sido usadas armas químicas, deveria começar o seu trabalho. Quero assinalar que na Síria não há nenhuma instalação de produção de armas químicas, isso foi confirmado pela Opaq.”

Moscou convocou neste sábado uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU para tratar da situação na Síria e pediu para que todos os membros e países responsáveis da comunidade internacional façam “uma avaliação adequada do ocorrido para excluir a repetição de ações agressivas, irracionais, que ameacem a paz e a segurança na região”.

"Linha perigosa"

Também neste sábado, segundo informações da Agência Efe, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado exigindo que seja colocado um fim imediato “à linha extremamente perigosa adotada pelos líderes do ocidente para destruir todos os acordos sobre os caminhos para o acerto da situação síria”.

Segundo a nota, “o ato de agressão é um forte golpe nos esforços destinados a estimular o processo político de Genebra sobre a base da resolução 2245 do Conselho de Segurança da ONU, que respalda o respeito à soberania e integridade territorial do país árabe”.

O comunicado diz ainda que “agora que as tropas sírias avançam com sucesso na ofensiva contra o Estado Islâmico e outros grupos terroristas, os EUA e seus aliados querem dar um fôlego aos radicais e extremistas, permitir a eles recompor suas fileiras e prolongar o derramamento de sangue para entorpecer o acerto político”.

Assista ao programa 20 Minutos Atualidades, com Breno Altman, sobre a Síria

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