Livro relembra Libero Giancarlo Castiglia, guerrilheiro italiano assassinado pela ditadura brasileira

Lançamento da obra 'Joca, il Che dimenticato' ocorreu na cidade de Saracena; guerrilheiro foi assassinado em 1974

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Aconteceu neste sábado (14/04), em Saracena, sul da Itália, o lançamento do livro Joca, il "Che" dimenticato, (Joca, o "Che" esquecido), escrito por Alfredo Sprovieri e publicado pela Editora Mimesis. O livro conta a história de Libero Giancarlo Castiglia, italiano que migrou para o Brasil em 1950 e que foi assassinado em 1974, durante a ditadura militar.


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O livro recupera a história do guerrilheiro que, depois de uma experiência como metalúrgico no Rio de Janeiro, começou a colaborar com a equipe editorial do jornal A Classe Operária, órgão do Partido Comunista do Brasil.

Eram os anos difíceis da ditadura militar, que acabava de dar um golpe militar no então presidente João Goulart. O novo governo proibiu greves e, em 1965, baniu as forças políticas de oposição. Castiglia poderia voltar para a Itália, mas decidiu lutar.

Depois de uma fase de treinamento na China, ficou conhecido como "Joca". Na época, assumiu o comando de um destacamento de guerrilheiros rurais na Amazônia, que no fim dos anos 1960 inicia uma luta que seria combatida por milhares de soldados do Exército brasileiro até 1974. 

Reprodução

Lançamento de livro sobre Giancarlo Castiglia aconteceu na cidade de Saracena, na Itália; ‘Joca’, como ficou conhecido, foi assassinado em 1974

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No início do novo milênio, em uma vala comum perto do rio Araguaia, foi encontrado um esqueleto com as mãos decepadas. O governo brasileiro, que acredita se tratar dos restos mortais do italiano, afirmou que organizaria uma ida à Itália para colher amostras de DNA da família de Castiglia. Mas a partir daquele dia de esperança, o silêncio retornou. Em todos esses anos, ninguém quis devolver a verdade os seus familiares.

Juntamente com o autor estava presente Walter Castiglia, irmão mais novo de Joca e coautor do livro. Ouvir as histórias de suas próprias experiências e as de sua família, sem intermediários, foi um privilégio e uma emoção que os presentes muito dificilmente esquecerão.

No evento, foi recordado também o papel de resistência à ditadura brasileira de outro calabrês, Salvatore Tolezano. Também nascido em Saracena, Tolezano presidiu o sindicato dos Bancários de Sorocaba (SP) e foi morto em março de 1970 quando se dirigia a uma reunião de trabalho. Tolezano atualmente dá nome a duas ruas, uma em Sorocaba, outra em São Paulo. O conselheiro Leonide Spinelli e o administrador Biagio Diana colocaram em pauta o desejo de lembrar na toponímia de Saracena tanto Libero Giancarlo quanto o herói local Filippo Di Benedetto, que salvou a vida de centenas de perseguidos pela ditadura argentina. Barbara Forte concentrou-se na discussão das qualidades literárias e historiográficas do livro de Alfredo Sprovieri.

Paralelo com o Brasil de hoje

No debate subsequente, moderado pela jornalista Chiara Fazio, surgiram as relações e semelhanças entre a realidade do Brasil da década de 1970 e de hoje. Foi discutido o caso de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro e ativista pelos direitos humanos, assassinada há um mês junto com o motorista Anderson Gomes, assim como o posterior assassinato de Carlos Alexandre Pereira, que foi uma das testemunhas da morte de Marielle. A perseguição política contra o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, também foi discutida.

Por meio de depoimentos à distância, a jornalista Janaina César, colaboradora de Opera Mundi, e Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo também participaram do evento. Como representante da associação de direitos humanos 24 Marzo, eu, Mario Ochinerro, lembrei que, como consequência da lei de anistia de 1979, ainda em vigor, nenhum militar no Brasil foi condenado por crimes contra a humanidade.

Somente com o processo Condor, em andamento em Roma, que quatro soldados passaram a se tornar réus. Os militares João Osvaldo Leivas Job, Carlos Alberto Ponzi, Átila Rohrsetzer e Marco Aurélio da Silva são acusados de envolvimento no sequestro e assassinato do italiano-argentino Lorenzo Viñas Gigli, em 1980.

O lançamento do livro teve um duplo significado: não esquecer a história de Castiglia e lembrar toda a tragédia que levou à ditadura brasileira.

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