Resposta de Israel aos protestos em Gaza é a de uma 'potência acuada', diz especialista da USP

Segundo Arlene Clemesha, professora da história árabe da Letras-USP, repressão de Israel 'é absurda e desproporcional', e situação é de um 'massacre', não 'embate'; para especialista, punição seria embargo militar

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A violenta repressão do Exército de Israel contra as manifestações de palestinos nesta segunda-feira (14/05) deixou cerca de 60 mortos e mais de 2.000 pessoas feridas. A mudança da Embaixada dos EUA em Israel para a cidade de Jerusalém na véspera da Nakba, data que marca a expulsão dos palestinos do território, tensionou ainda mais a situação em Gaza.


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Para a professora da área de história árabe do curso de Letras da USP (Universidade de São Paulo) e diretora do Centro de Estudos Árabes da instituição, Arlene Clemesha, a resposta de Israel aos protestos palestinos é a de uma “potência acuada”.

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Em entrevista a Opera Mundi, Clemesha afirmou que estas manifestações são consideradas "mais perigosas" por Israel "do que qualquer atuação de grupo armado". "Não há um exército do lado palestino, é uma manifestação popular e desarmada. Portanto, a resposta de Israel é a resposta de uma potência acuada”, disse.

Segundo a professora, a repressão de Israel “é absurda e desproporcional”, pela desigualdade de forças e de recursos. “Essa situação é um massacre, porque não há um embate, mas sim o uso de força militar de última tecnologia contra manifestantes desarmados”.

Reprodução

Segundo professora de História Árabe da USP, repressão de Israel 'é absurda e desproporcional'

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Clemesha acredita que, como punição ao Estado de Israel, deveria ocorrer um “embargo militar, na medida em que Israel é uma potência militar que mantém uma ocupação considerada ilegal pela ONU”. “A partir de agora, as recentes mortes em Gaza deveriam ser levadas às cortes internacionais, para que haja uma punição contra Israel”, afirmou a professora.

Mudança da embaixada

Com relação à mudança da embaixada norte-americana para Jerusalém, Clemesha acredita que a medida “coloca mais tensão em uma região que já é cheia de conflitos”. “Em termos práticos, a atitude do governo dos EUA foi de legitimação e reconhecimento a um ato ilegal que foi a anexação de Jerusalém por Israel”, disse a professora.

Por se tratar da véspera da Nakba, data de extrema importância para o povo palestino, Clemesha acredita que a troca de lugar da embaixada foi como uma “faísca” diante da insatisfação da Palestina.

“Em uma situação em aberto como a da Palestina, onde há um processo de descolonização a ser feito, a ação dos Estados Unidos dificulta esse processo de retirada de Israel dos territórios ocupados e a devolução de Jerusalém para o povo palestino”, destaca a professora.

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