Líderes das Coreias se reúnem para tentar salvar encontro com Trump

Deutsche Welle
Em meio a incertezas quanto a cúpula entre Pyongyang e EUA, Moon e Kim surpreendem ao se reunirem pela segunda vez em um mês; após cancelar aguardado encontro, presidente americano sinalizou que pode voltar atrás

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O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o líder norte-coreano, Kim Jon-um, surpreenderam ao se reunirem neste sábado (26/05) na fronteira entre os dois países para tratar da incerta realização de uma cúpula entre Kim e o presidente dos EUA, Donald Trump.


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Este foi o segundo encontro entre Moon e Kim em um mês. Eles se reuniram durante duas horas, informou o escritório presidencial sul-coreano em comunicado.

Trata-se do mais recente e claro sinal de que a aguardada cúpula entre Kim e Trump pode de fato ser realizada em 12 de junho em Cingapura, como inicialmente planejado.

Na última quinta-feira, o presidente americano cancelou o encontro. Mas no dia seguinte, após receber a notícia de que Pyongyang continua aberta a dialogar com Washington, Trump deu sinais de que pode voltar atrás. "Vamos ver o que acontece, pode até ser que seja no dia 12 [de junho]", declarou.

A reunião não anunciada entre Moon e Kim, no vilarejo fronteiriço de Panmunjom, foi realizada um mês depois que ambos participaram ali da primeira cúpula intercoreana em mais de uma década, em 27 de abril, e se comprometeram com a desnuclearização da península.

"Os dois líderes trocaram opiniões amistosamente sobre uma realização bem-sucedida da cúpula entre a Coreia do Norte e os EUA e sobre a implementação da Declaração de Panmunjom", disse o porta-voz da presidência sul-coreana em comunicado emitido neste sábado.

Moon, que retornou a Seul nesta semana após um encontro com Trump, anunciará detalhes do encontro com Kim na manhã de domingo.

Nesta sexta-feira, Trump afirmou no Twitter que Washington estava tendo "conversas produtivas" com Pyongyang sobre a realização da cúpula. "Se for realizada, deve ser mantida em Cingapura na mesma data, 12 de junho, e, se necessário, será estendida para além dessa data", escreveu.

Segundo a revista americana Politico, uma equipe de 30 funcionários da Casa Branca e do Departamento de Estado dos EUA está se preparando para viajar à Cingapura.

picture-alliance/dpa/Korea Summit press

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Tensões de longa data

Após anos de tensões envolvendo o programa de armas nucleares da Coreia do Norte, Kim e Trump concordaram neste mês a realizar o que seria o primeiro encontro entre um presidente americano em exercício e um líder norte-coreano.

O plano foi anunciado após meses de ameaças de guerra e insultos entre Kim e Trump em relação ao desenvolvimento de mísseis pela Coreia do Norte que seriam capazes de atingir os EUA.

Trump cancelou a cúpula por meio de uma carta enviada a Kim na quinta-feira, após uma série de ameaças da Coreia do Norte de não participar do encontro devido a exigências de desarmamento unilateral feitas por Washington. Trump usou a "hostilidade" por parte de Pyongyang para justificar o cancelamento da reunião bilateral.

O vive-ministro do Exterior norte-coreano, Kim Kye-gwan, afirmou que as críticas de Pyongyang foram uma reação à retórica americana e que o antagonismo existente evidencia a "necessidade urgente" de realizar a cúpula bilateral.

Ele disse que a Coreia do Norte lamenta a decisão de Trump de cancelar o encontro e se mantém aberta para resolver problemas com Washington "a qualquer momento".

A Coreia do Sul, que mediou as conversas entre Washington e Pyongyang, foi pega de surpresa quando Trump cancelou o encontro com Kim. Moon lamentou a decisão do presidente americano, afirmando ter ficado "perplexo".

Apesar da recente aproximação entre as Coreias, as relações entre os países vizinhos havia esfriado nas últimas semanas. Pyongyang cancelou um encontro de alto nível com Seul devido à participação da Coreia do Sul em exercícios militares com os EUA.

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