50 Anos de 68: Movimentos como Black Lives Matter incorporaram legado de Luther King, diz historiadora

Para professora da USP, legado de Martin Luther King foi também 'revisto, para melhor', pelos movimentos atuais; universidade realiza seminário sobre 1968

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Um dos maiores líderes do movimento negro, o pastor Martin Luther King foi assassinado em 4 de abril de 1968, em um quarto de hotel na cidade de Memphis, nos Estados Unidos. Segundo historiadores, cinquenta anos depois de sua morte, seu legado ainda ecoa pelo país em uma herança de luta contra o racismo e as injustiças.


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Para a professora Maria Helena Machado, especialista em história social da escravidão no Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), o legado de Luther King prossegue em movimentos como o Black Lives Matter.

“Essa luta pelos direitos civis e o combate ao racismo, reinvindicações centrais da agenda de Luther King, tem sido incorporada e revista, para melhor, pelos movimentos atuais”, diz a professora, que participou do debate “O Assassinato de Martin Luther King e a Luta pelos Direitos Civis”, realizado dentro do simpósio "Cinquenta Anos de 1968 : A Era de Todas as Viradas", que acontece na USP (Universidade de São Paulo) até esta sexta-feira (08/06). A programação completa pode ser encontrada aqui.

Segundo Machado, movimentos “como o Black Lives Matter tentam falar com mais pluralidade do que Luther King e Malcom X, que eram conservadores em certos sentidos”. “O Black Lives Matter pensa em novas maneiras de combater o racismo à luz do século 21”, afirma.

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Para a historiadora, a luta desses movimentos é essencial no atual momento político norte-americano, onde existem grupos de extrema-direita que ganham força, enquanto que, “nas instituições e nas propagandas, o racismo está enraizado no inconsciente”.

O doutorando em História e Culturas Políticas pela UFMG Bruno Vinicius de Moraes, que também participou do debate, compartilha da visão da professora e evidencia uma tentativa de “esvaziar” o discurso de Luther King ao longo da história.

“A ideia da integração entre negros e brancos nos Estados Unidos é fajuta e nós temos visto há anos que isso não tem dado certo”, afirma o historiador.

Segundo Moraes, “as reinvindicações de Luther King foram esvaziadas pela história hegemônica, levando em conta apenas a luta pelo direito ao voto”.

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