Hoje na História: 1987 - Morre um dos maiores violinistas do mundo, Jascha Heifetz

Conhecido por não aceitar interferências políticas na escolha de suas músicas, o artista morre em Los Angeles

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Jascha Heifetz, destaque de uma geração de ouro na história do violino, merecedor de figurar ao lado de Nicoló Paganini no panteão das figuras mais marcantes que o mundo já viu com esse instrumento, falece em Los Angeles em 10 de dezembro de 1987.

Nascido em 2 de fevereiro de 1901 em Vilna, Lituânia, Heifetz inicia seus estudos de violino com o pai Ruvin aos 3 anos, prosseguindo em sua formação, a partir dos 5 anos, na Academia Real de Música de Vilna. Fez sua estreia pública no ano seguinte, 1907, em Kovno, executando com brilho o Concerto de Mendelssohn.

Diplomado aos 7 anos, empreende uma série de turnês na Lituânia e ganha a reputação de ser “a mais fenomenal das crianças prodígios de seu tempo”.

Em uma de suas apresentações aos 9 anos, foi observado pelo célebre e rigoroso professor Leopold Auer, em São Petersburgo. Auer concordou de má vontade em ouvir a esta ‘wunderkind’, pois detestava as pretensas crianças prodígios. Completada, porém, a audição, Auer qualificou-a  de “giro pela feitiçaria” e o aceitou imediatamente.

Aos 10 anos, registra seus primeiros discos pela etiqueta Gramophon. Em 30 de abril de 1911 dá seu primeiro grande concerto na capital russa. A apresentação ao ar livre reuniu mais de 25 mil pessoas. Tal foi o alvoroço que policiais foram chamados para proteger o jovem violinista.

Quando eclode a Revolução Bolchevique em 1917, Heifetz e sua família deixam a Rússia e emigram para os Estados Unidos. Sua estreia no Carnegie Hall, em 27 de outubro do mesmo ano, foi comentada por muito tempo. Fritz Kreiler, o mais festejado dos violinistas à época, diria ao cabo da apresentação: “Podemos quebrar nossos arcos sobre os joelhos, agora mesmo. De nada mais nos servem”.

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Heifetz assinava a ata de nascimento de uma nova geração de violinistas de extraordinário talento: Nathan Milstein, David Oistrakh, Yehudi Menuuhin e poucos outros.

Segue-se ao concerto do Carnegie Hall uma longa colaboração entre Heifetz e a RCA Victor para uma grande série de registros que marcariam a história fonográfica da música, apesar de falhas técnicas na gravação.



Recusando-se a ceder em seus programas de concerto por considerações políticas, escaparia de uma tentativa de assassinato em 1953, cometida por um extremista judeu de Jerusalém insatisfeito pela execução de uma peça de Richard Strauss, hostilizado pelo governo israelense por suas simpatias com o nazismo.

O violinista diria que “a música está acima desses fatores. Não vou mudar meu programa. Tenho o direito de decidir sobre meu repertório”. A execução da peça foi seguida por um silêncio tumular. Ferido no braço direito por uma barra de ferro ao proteger seu instrumento, o judeu Heifetz cancelou seu último concerto e só retornaria ao país 17 anos mais tarde.

Seguiria em suas atividades como concertista até 1962, ocasião em que uma cirurgia no ombro direito, aparentemente mal sucedida, o impedia de manter o arco tão alto como outrora. Não desejava que tal fato afetasse sua reputação.




Heifetz praticava igualmente música de câmara. Explicava-se seu pouco sucesso em conjuntos de câmara pelo fato de que sua personalidade tendia a ofuscar os demais. No entanto, seu trio de câmara com Gregor Piatigorsky, no violoncelo, e Arthur Rubinstein, no piano, permanecem na lembrança como um dos grandes momentos da história da música.

No começo da carreira tocava com um Carlo Tononi, instrumento italiano do século 18 com o qual estreou nos Estados Unidos. Adquiriu, em 1922, o famoso David, um Guarnerius de Gesú, de 1742. Possuía ainda um Stradivarius, a Pele, de 1731, o Delfim, de 1714, e o Hochstein, de 1715.

Descrito com frequência como frio, destituído de sentimento e exclusivamente virtuoso, seu jeito de tocar foi desde cedo submetido a críticas que poderiam estar, subjetivamente, ligadas à sua personalidade cáustica e de uma austeridade sem par.

Os críticos também acusavam-no de tocar em andamento demasiadamente rápido, o que não passava de ilusão. Sua precisão eletrizante levava à percepção de velocidade maior do que a real.

Se é verdade que muitos de seus alunos o descreviam como um mestre tirânico, por vezes cruel, e que ninguém jamais se jactou de vê-lo sorrir em público, sua sonoridade de limpeza cristalina e seu vibrato extraordinariamente caloroso, além de fraseado de uma sensibilidade incomum, permitem pensar que se tratava apenas de preconceito. Sua execução, de um virtuosismo incomparável, jamais cedeu à vaidade das filigranas.

Apesar da reputação de antipatia legendária, suas sessões de “master class”, filmadas pela televisão, mostravam uma espécie de humor sarcástico que divertia o espectador.

Seus concertos tiveram a regência de maestros de enorme prestígio como Arturo Toscanini, William Kapell, Fritz Reiner, Dimitri Mitropoulos, George Szell, Serge Kussevitzky, Williem Primrose, Thomas Beecham, John Barbirolli, e Charles Munch.

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