Hoje na História: 1933 - É criado o primeiro campo de concentração na Alemanha

A 15 quilômetros de Munique, Dachau recebeu mais de 200 mil detentos de 30 países, servindo de exemplo e modelo para outras instalações

Atualizada em 20/03/2016 às 6h

O campo de concentração de Dachau, inaugurado em 20 de março de 1933, foi o primeiro criado pelo governo nazista alemão. Heinrich Himmler, chefe da polícia de Munique, descreveu-o oficialmente como “o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos”. Foi montado nas dependências de uma fábrica de munição abandonada, a cerca de 15 quilômetros ao noroeste da cidade ao sul da Alemanha.

Dachau serviu como protótipo e modelo para os outros campos. Tinha uma organização básica, com prédios desenhados pelo comandante Theodor Eicke. Dispunha de um campo distinto, perto do centro de comando, com salas de estar, administração e instalações para os soldados. Eicke ainda tornou-se o inspetor-chefe para todos os campos de concentração.

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Entrada do campo de concentração de Dachau


Cerca de 200 mil prisioneiros de mais de 30 países foram "hospedados" em Dachau, dos quais, aproximadamente, um terço era judeu. Acredita-se que mais de 35.600 prisioneiros foram mortos no campo, principalmente por doenças, má nutrição e suicídio. No começo de 1945, houve uma epidemia de tifo no local, seguida de uma evacuação em massa, dizimando boa parte dos prisioneiros.

Ao lado de Auschwitz-Birkenau, Dachau tornou-se um símbolo de campo de concentração nazista. Liberado pelas forças aliadas anglo-americanas, Dachau tem um significado bastante forte na memória pública porque foi o segundo campo a ser liberado. O primeiro havia sido Auschwitz, libertado pelo Exército Vermelho. Ambos expuseram aos olhos do mundo a realidade da brutalidade nazista.

Dachau foi dividido em duas seções: a área do campo e o crematório. A área do campo consistia em 32 barracas, incluindo uma para o clero aprisionado e os opositores do regime nazista e outro reservado para os experimentos médicos. O pátio entre a prisão e a cozinha central foi usado para a execução sumária de prisioneiros. Uma cerca elétrica de arame farpado, uma vala e um muro com torres de observação rodeavam o campo.

No começo de 1937, as SS, usando a mão de obra dos prisioneiros, iniciou a construção de uma grande rede de prédios nos fundos do campo original. Os prisioneiros eram forçados, sob terríveis condições, ao trabalho, começando com a destruição das velhas fábricas de munição. A construção se deu por concluída em meados de agosto de 1938.

Dachau foi o campo mais ativo durante o Terceiro Reich. A área incluía ainda outras fábricas da SS, uma escola de economia e serviço civil e a escola médica dos SS. O campo, chamado de "campo de custódia", ocupava menos da metade de toda a área.

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Dachau também serviu como campo central para prisioneiros católicos. De acordo com a Igreja Católica Romana, pelo menos 3.000 religiosos, diáconos, padres e bispos foram lá confinados. Em agosto de 1944, abriu-se um campo feminino dentro de Dachau. A primeira "carga" de mulheres veio de Auschwitz-Birkenau.

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Frase no portão de entrada de Dachau, frequente nos campos de concentração nazistas, diz "O trabalho liberta"

Nos últimos meses da guerra, as condições de Dachau pioraram. Quando as forças aliadas avançaram sobre a Alemanha, os nazistas começaram a remover os prisioneiros dos campos perto do front. Depois de vários dias de viagem, com pouca ou nenhuma comida e água, os prisioneiros chegavam extenuados. Muitos haviam morrido pelo caminho. A epidemia de tifo tornou-se um sério problema devido à superpopulação, precárias condições sanitárias, provisões insuficientes e o estado de fraqueza dos prisioneiros. Até o dia da libertação, 15 mil pessoas morreram e 500 prisioneiros russos foram executados.

Em 27 de abril de 1945, Victor Maurer, delegado do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, foi autorizado a entrar nos campos e distribuir comida. Na noite do mesmo dia, um transporte de prisioneiros chegou de Buchenwald. Somente 800 sobreviventes foram trazidos, dos aproximadamente 4.500. Mais de 2.300 cadáveres foram deixados dentro e em torno do trem. O último comandante do campo, Obersturmbannführer (Tenente-Coronel) Eduard Weiter, fugiu em 26 de abril.

No dia seguinte, Martin Weiss, que comandara o campo de setembro de 1942 até novembro de 1943, deixou Dachau juntamente com a maioria dos guardas e administradores do campo.

Maurer tentou persuadir o  tenente Johannes Otto, ajudante do comandante Weiss, a não abandonar o campo, mantendo guardas para controlar os prisioneiros até que os norte-americanos chegassem. Ele temia que os prisioneiros pudessem fugir em massa e espalhar a epidemia de tifo.

Um dia depois, foi hasteada uma bandeira branca na torre do campo.

Também nesta data:

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