Hoje na História: 1836 - Espanha reconhece independência do México por meio de Tratado Santa María-Calatrava

Tratado Santa María-Calatrava finalizava emancipação do país, o que incluía os territórios da Alta e Baixa Califórnia; no entanto, a Espanha tentaria posteriormente recuperar seu domínio

Atualizada em 13/12/2017 às 14:23


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Pelo Tratado “Santa María-Calatrava”, firmado por Miguel Santa María y José María Calatrava, a Espanha reconhecia oficialmente, em 28 de dezembro de 1836, o México como nação livre, soberana e independente. Os reis espanhóis renunciavam, dessa forma, a toda pretensão ao governo, propriedade e direito territorial do que havia sido o vice-reinado da Nova Espanha, suas capitanias, províncias internas, terrenos anexos como as da Baixa e Alta Califórnia e ilhas adjacentes. Apesar do tratado, a Espanha posteriormente tentaria recuperar seu domínio.

Em 16 de setembro de 1810, a independência da Espanha foi declarada pelo padre Miguel Hidalgo y Costilla, na pequena cidade de Dolores Hidalgo, Guanajuato. O primeiro grupo insurgente era formado por Hidalgo, o capitão do exército vice-reinal espanhol Ignacio Allende, o capitão de milícias Juan Aldama e “a Corregedora” Josefa Ortiz de Domínguez. Hidalgo e alguns soldados foram capturados e executados por um pelotão de fuzilamento em Chihuahua, em 31 de julho de 1811. Após sua morte, a liderança foi assumida pelo padre José Maria Morelos, que tomou e ocupou as principais cidades do sul.

Em 1813, foi convocado o Congresso de Chilpancingo e, em 6 de novembro, assinada a Ata Solene da Declaração de Independência da América Setentrional. Morelos foi capturado e executado em 22 de dezembro de 1815. Nos anos seguintes, a revolta esteve perto do colapso, porém em 1820 o vice-rei Juan Ruiz de Apodaca enviou um exército sob o comando do general ‘criollo’ Agustin de Iturbide contra as tropas de Vicente Guerrero. Em vez disso, Iturbide juntou forças com Guerrero e, em 1821, os representantes da Coroa espanhola e Iturbide assinaram o Tratado de Córdoba, que reconheceu a independência do México, nos termos do Plano de Iguala.

Iturbide autoproclamou-se imediatamente imperador do I Império Mexicano. Uma revolta contra ele, em 1823, estabeleceu os Estados Unidos Mexicanos. Em 1824, uma Constituição da República foi elaborada e Guadalupe Victoria (cujo nome real é José Miguel Ramón Adaucto Fernández y Félix) tornou-se o primeiro presidente do recém-nascido país. As primeiras décadas do período pós-independência foram marcadas pela instabilidade econômica, que levou à Guerra dos Pasteis em 1836, e uma luta constante entre ‘liberais’, adeptos de uma forma de governo federal, e ‘conservadores’, adeptos de uma forma hierárquica de governo.

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Em 1836 o general Antonio López de Santa Anna, ditador por duas vezes, aprovou as Siete Leyes, uma alteração adical que institucionalizou a forma centralizada de governo. Quando ele suspendeu a Constituição de 1824, a guerra civil espalhou-se por todo o país, e três novos governos declararam a independência: a República do Tejas, a República do Rio Grande e a República de Yucatán.

O Tejas, ou Texas, foi anexado pelos Estados Unidos. Uma disputa fronteiriça levou à Guerra Mexicano-Americana que começou em 1846 e durou dois anos. Terminou com a assinatura do Tratado Guadalupe-Hidalgo, que forçou o México a ceder quase a metade de suas terras para os Estados Unidos, incluindo a Califórnia e o Novo México. Uma transferência muito menor de território, em partes do sul do Arizona e do Novo México ocorreu em 1854. A Guerra das Castas de Yucatán, revolta maia  que começou em 1847, foi uma das mais bem sucedidas revoltas modernas de indígenas americanos. Rebeldes maias mantiveram enclaves relativamente independentes até à década de 1930.

Insatisfação com o retorno de Santa Anna ao poder levou ao Plano de Ayutla, iniciando uma era conhecida como La Reforma, depois que uma nova Constituição fora elaborada em 1857, estabelecendo um estado secular, o federalismo como forma de governo e várias outras liberdades.

Como os conservadores se recusaram a aceitar esta Constituição, teve início a Guerra da Reforma em 1858, quando ambos os grupos tinham seus próprios governos. A guerra terminou em 1861 com a vitória dos liberais, liderados pelo presidente ameríndio Benito Juárez.

Nos anos 1860 o México sofreu uma ocupação militar da França, que criou o II Império Mexicano sob o domínio do arqueduque da Casa dos Habsburgos, Ferdinando Maximiliano da Áustria com o apoio do clero católico romano e dos conservadores, que mais tarde trocariam de lado e se juntaram aos liberais. Maximiliano rendeu-se, foi julgado e executado em 19 de junho de 1867.

Porfírio Diaz, um general republicano durante a intervenção francesa, governou o México de 1876 a 1880 e depois de 1884 a 1911, em cinco reeleições consecutivas, período conhecido como Porfiriato, caracterizado por importantes realizações econômicas, investimentos nas artes e ciências, mas também por grande desigualdade social e repressão política.

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