Último ditador do regime militar argentino é condenado a 15 anos de prisão

Reynaldo Bignone acumula sentenças de 25 anos e perpétua

O último ditador do regime militar argentino (1976-1983), Reynaldo Bignone, foi condenado a 15 anos de prisão nesta quinta-feira (29/12), por crimes contra a humanidade. A sentença, ditada por um dos Tribunais Orais Federais do país, se deve às prisões ilegais cometidas no centro clandestino de detenção “El Chalet”, dentro de um hospital da Força Aérea argentina.

Esta é a terceira pena recebida pelo ditador, que no ano passado foi condenado a 25 anos de prisão pelas violações aos Direitos Humanos cometidas no Campo de Maio, outro centro clandestino de reclusão e extermínio, quando era Comandante de Institutos Militares e, em abril deste ano, foi sentenciado a prisão perpétua pela repressão ilegal perpetrada entre julho de 1982 e 1983, quando comandou o país.

Na atual sentença, o Tribunal Oral Federal 2 também condenou a oito anos de prisao domiciliar o ex-chefe da Brigada Aérea de El Palomar, Hipólito Rafael Mariani, e a 13 anos Luis Muiña, integrante de um grupo da Força Aérea argentina conhecido como “Swat”. Os três foram acusados por sequestros ilegais, “aplicação de tortura” e homicídios. As condenações, no entanto, excluíram os assassinatos.

Um quarto acusado, Argentino Rios, foi afastado do julgamento “por questões de saúde”, mas o processo será retomado quando ao acusado melhorar, segundo a sentença. De acordo a agência de notícias oficial da Argentina, Télam, a decisão dos juízes foi recebida com “silêncio e decepção por dezenas de médicos e empregados do hospital presentes na sala, muitos vestidos com camisetas com os nomes de desaparecidos, uma lista que duplica o número de casos julgados”.

O Hospital Alejandro Posadas foi invadido e ocupado pessoalmente por Bignone, com o uso de tanques e helicópteros. Na operação militar, o diretor do local, Julio Cesar Rodriguez Otero foi capturado, e sua residência, conhecida como “Chalet”, foi utilizada como um centro clandestino de reclusão, tortura e extermínio de prisioneiros políticos.

Como ditador argentino, Bignone decretou a destruição de documentos sobre a repressao ilegal e determinou a auto-anistia para os militares que cometeram crimes no período. No início da ditadura militar argentina, em 1976, Bignone era delegado da Junta Militar na área de “Bem-Estar Social”. O repressor continuará em regime de prisão domiciliar.

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