MEMÓRIA
09/01/2012 - 08h00 | Max Altman | São Paulo

Hoje na História: 1889 - Financista Alexandre Stavisky é encontrado morto em Chamonix

Fundador do banco Crédit Communal de Bayonne era acusado pela falsificação de mais de 200 milhões de francos

 

Em 9 de janeiro de 1934, autoridades francesas encontram o  financista Alexandre Stavisky, "o Belo Sacha”, baleado em um chalé de Chamonix. Ele era procurado pela polícia por ser um dos suspeitos de um fraude nos fundos do banco Crédit Communal de Bayonne. Tratava-se aparentemente de um suicídio, mas a opinião pública desconfiava que políticos haviam mandado matá-lo para que não denunciasse seus cúmplices.

O diretor do banco de Bayonne, Gustave Tissier, foi preso em 23 de dezembro de 1933 por ter posto em circulação 235 milhões de francos em cédulas falsas. Descobriu-se rapidamente que Tissier não passava de executor do fundador do banco, Serge Alexandre Stavisky, que havia organizado a fraude de comum acordo com o deputado e prefeito de Bayonne, Dominique-Joseph Garat.

Stavisky já havia sido objeto de outras investigações. Dessa vez, o estardalhaço, levou à descoberta de inúmeras relações que o golpista mantinha com os meios policiais, jornalísticos e judiciais. O Procurador-geral Pressard, cunhado do presidente do Conselho de Ministros Camille Chautemps, havia conducido manobras para que o proceso contra Stavisky fosse postergado indefinidamente.

Muitas personalidades haviam sido unha e carne com o “Belo Sacha” e contavam com seu silêncio. A publicação humorística Le Canard Enchaîné (O Pato Acorrentado) saiu com a manchete: “Stavisky se suicidou com uma bala disparada a 3 metros”.

O Caso Stavisky deu origem a uma crise política na França. Este escândalo simboliza a crise de um regime instável, sob as suspeitas de corrupção que levaríam à queda do governo de Camille Chautemps e ao desencadeamento dos distúrbios antiparlamentares de 6 de fevereiro de 1934.

Os adversários do regime viam esse caso como mais uma prova da baixeza moral e do comportamento criminoso do governo. Um acesso de antiparlamentarismo sacudiu o país, ainda mais violento que aqueles provocados pelos ‘affaires’ Hanau e Oustric.

Depois dos anos de esperança que se seguiram à Primeira Guerra Mundial, a França foi afetada por uma crise econômica e política. A morte de Stavisky traz à tona todos os rancores. Ele era um judeu de origem russa e os xenófobos investem contra o que julgam como uma « frouxa » políitica de naturalização. Os monarquistas e os populistas de direita, de um lado, e os comunistas, de outro, denunciam à exaustão a decadência da III República.

Édouard Daladier substituiria Chautemps. Ao mesmo tempo, uma grande manifestação é organizada em Paris, na praça de la Concorde, por convocação conjunta das ligas de direita e dos movimentos de esquerda sob o lema "abaixo os ladrões". O protesto degenera. A polícia atira. Dezesseis manifestantes e um policial são mortos. Conta-se cerca de mil feridos.Três dias depois, uma nova movimentação resultaria em outros nove mortos.

Daladier cede às pressões e entrega seu posto a Gaston Doumergue. A esquerda parlamentar denuncia que a repressão à manifestação de 6 de fevereiro escondia uma tentativa de golpe de Estado fascista e apela à união das forças progressistas. O caso Stavisky é que, a priori, contribuiria para a vitória da Frente Popular de Leon Blum nas eleições legislativas de 1936.

comentários

Mais recomendadas no Facebook

Acompanhe o Opera Mundi