MEMÓRIA
04/02/2012 - 08h00 | Max Altman | São Paulo

Hoje na História: 1948 - Ceilão, atual Sri Lanka, conquista independência do Reino Unido

Em 1972, o país adotou o nome sânscrito de Sri Lanka, -- a ilha resplandescente

O Ceilão -- pérola à orelha da Ásia -- torna-se independente em 4 de fevereiro de 1948. Rebatizado como Sri Lanka, a ilha não parou de sofrer do contencioso étnico legado pelo colonizador britânico.

Portugal, Holanda e Inglaterra tentaram sucessivamente apropriar-se das riquezas do Ceilão. Em 1505, os portugueses ali desembarcaram, nas pegadas de Marco Polo. Foram atraídos pelas especiarias, em especial a canela, mas se chocaram com a resistência do reino de Kandy, instalado nas terras altas. Por fim terminaram por abandonar o país para os holandeses.

No final do século 18, como a França revolucionária ocupou os Países Baixos, governantes holandeses refugiaram-se em Londres e autorizaram a Inglaterra a assumir o controle do Ceilão em 1796.

A partir de 1815, os britânicos passaram a dominar toda a ilha, derrocando com  o decadente reino. Substituíram a cultura da canela pela do café e depois pelo chá. Saíram em busca de mão de obra para as novas culturas, enquanto o cultivo do arroz ocupava bom número de cingaleses.

Os trabalhadores tamouls criaram raiz no mundo fechado das plantações, conservaram sua língua, tradições e religião hinduísta – enquanto os cingaleses são budistas -. Em  1946, às vésperas da independência, contava-se cerca de 800 mil tamouls, ou seja 12% da população.

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O chá é o produto mais exportado pelo Sri Lanka 

Os britânicos logo criaram uma elite anglicizada, capaz de gerir os negócios públicos, num regime de relativa autonomia. Um partido nacionalista foi criado em 1918, tendo por modelo o partido Congresso indiano. A ilha se beneficiou de uma espécie de descolonização suave, ao contrário da Índia.

Após a independência, erigiu-se um regime democrático que fracassou em dar lugar à minoria tamoul. Em 1956, a celebração do 2500º aniversário do nirvana de Buda propiciou a ocasião para as minorias reivindicarem o renascimento e proteção à cultura cingalesa face às elites anglófonas e aos tamouls. No mesmo ano, o cingalês foi decretado língua oficial, o que provoca a ira da comunidade tamoul.

Em 1959, o primeiro ministro foi assassinado por um monge budista, gerando conflitos entre cingaleses e tamouls. Sirimavo Bandaranaike, viúva do ministro assassinado, ascende ao poder com o apoio de um partido trotsquista. Conduziu uma política de nacionalização de indústrias, de terras e de plantações de chá e borracha, pertencentes aos britânicos. Projetou igualmente, sem sucesso, repatriar 500 mil tamouls da Índia.

Em 1972, o país adotou o nome sânscrito de Sri Lanka, -- a ilha resplandescente --. Entrementes,  as tensões étnicas degeneraram em guerra civil. Os tamouls formaram o "Movimento dos Tigres pela Libertação da Pátria Tamoul" (LTTE), sob a liderança de  Villupilai Prabakaran. Diversos atentados foram realizados e uma guerra de guerrilha contra o exército srilankês foi travada. Em represália, ocorreram ‘pogroms’ anti-tamouls.

Em 1987, o primeiro ministro indiano Rajiv Gandhi alcançou um acordo garantindo certa autonomia a uma província indiana tamoul mas conferiu ao exército a tarefa de manter a paz. O LTTE recusou-se a depor armas e se recolheu a uma floresta impenetrável. Em 1991, Gandhi foi assassinado por um independentista tamoul, que lhe passou em torno do pescoço um colar de flores com explosivos.

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Cidade de Colombo, a mais populosa do país

O assassinato do ministro do Exterior de Sri Lanka em 2005 emitiu o sinal de um novo endurecimento. O recém empossado presidente, Mahinda Rajapakse, nacionalista que recusava qualquer autonomia tamoul, lançou uma nova ofensiva contra o norte do país. Finalmente em 2008, Kilinnochchi, capital dos ‘Tigres’, caiu nas mãos do exército que vislumbrava um "assalto final" contra o LTTE, o que fez redobrar a violência : massacre de civis, violações e mutilações, pilhagens.

O conflito terminou em 17 de maio de 2009 com a queda do último reduto independentista. Os confrontos provocaram a morte de cerca de 70 mil pessoas. Como se este drama não fosse suficiente, o sul de Sri Lanka foi duramente atingido pelo tsunami de dezembro de 2004, causando cerca de 40 mil mortes.

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