TRAGÉDIA
23/02/2012 - 11h43 | Luciana Taddeo | Buenos Aires

Empresa de trem acidentado em Buenos Aires avalia hipótese de erro humano

Diretor da TBA S.A disse que o serviço prestado à população era “aceitável”

O diretor de material rodante da empresa ferroviária TBA S.A., Roque Cirigliano, afirmou, na manhã desta quinta-feira (23/02), que um “erro humano” pode ter provocado o acidente com um trem que não freiou ao entrar em uma estação de Buenos Aires, nesta quarta-feira (23/02), deixando, até agora, 50 mortos e 703 feridos.

Cigliano, membro da família que controla a TBA, e primeiro diretor da companhia a se pronunciar publicamente, afirmou que o serviço prestado pela linha Sarmiento era “aceitável” e que “em alguns aspectos” a empresa “fez mais investimentos do que outras companhias” de trem.

Após percorrer a estação Once, próxima ao centro portenho, onde aconteceu o acidente, o empresário teve que se retirar, com escolta da Polícia Federal argentina, em meio a insultos de passageiros. Segundo ele, “desde 1995, muito investimento foi feito na renovação de trens”. Cirigliano garantiu ainda que “os trens estão bem para viagens, especialmente o sistema de segurança”.

Em entrevista concedida à rádio Continental, o empresário considerou a hipótese de um erro do maquinista, afirmando que a TBA trabalha com a hipótese de um “erro humano”, complementando que o serviço é "regular", e que a oferta supera a demanda de usuários.

Na tarde de ontem, o secretário de Transportes do governo argentino, Juan Pablo Schiavi, afirmou que o trem entrou na estação Once “em velocidade normal”, e que vinha freando previamente à chegada na plataforma. “Eram velocidades habituais. Não sabemos o que aconteceu nos últimos 40 metros”, disse.

De acordo com o relato de sobreviventes, no entanto, a composição teria tido problemas anteriores nos freios, que teriam causado o choque na última estação, deixando parte dos dois primeiros vagões esmagados. Segundo o dirigente sindical Ruben Sobrero, o trem teria passado por uma vistoria no dia anterior, nas oficinas da empresa.

Más condições

Sobrero afirmou aos jornalistas que “há muito tempo o sindicato denuncia a má condição” em que circulam os trens de diferentes empresas, garantindo que muitas formações que apresentavam problemas de freio eram enviadas às oficinas. O sindicalista também denunciou falta de investimentos da empresa ferroviária em suas composições.

O maquinista do trem acidentado, Marcos Córdoba, de 28 anos, foi internado ontem e continua em terapia intensiva, segundo Sobrero. “Ele está fora de risco e muito machucado porque sofreu com o impacto”, afirmou a uma rádio portenha.

O sindicalista descartou a hipótese de que o maquinista estivesse distraído na chegada à estação e que por isso não teria podido frear o trem, que bateu violentamente contra o sistema de amortecimento da plataforma, provocando a tragédia. O secretário de Transportes, por sua vez, também garantiu que Córdoba “estava descansado” no momento do acidente, já que iniciou a jornada poucas estações antes do local do acidente.

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