Honduras perdoa prisioneiro que salvou centenas em incêndio
Depois de cumprir 17 anos de reclusão, Marco Antonio Bonilla não precisará mais cumprir a pena de 31 anos. Condenado por homicídio e furto em 1995, o hondurenho de 50 anos passou de criminoso a heroi depois de salvar a vida de centenas de prisioneiros que estavam retidos em suas celas durante o incêndio do presídio de Comayagua.
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O indulto foi anunciado na última quarta-feira (22/02) pelo presidente de Honduras, Porfirio Lobo, que levou em consideração que Bonilla "se expôs a um risco enorme ao tentar salvar vidas durante a tragédia".
Enquanto os guardas do presídio entraram em pânico e fugiram das labaredas que vitimaram 360 prisioneiros, "Shorty" (apelido dado a Bonilla por seus colegas) apanhou as chaves deixadas pelos corredores e tentou abrir as grades que podia. Cada cela abrigava cerca de cem homens; as trancafiadas com cadeados emperrados foram marretadas com uma barra de metal.
Ele desempenhava o papel de enfermeiro de Comayagua e, por essa razão, permanecia detido em uma cela especial da penitenciária. Testemunhas alegam que Shorty teria acordado com os gritos de socorro dos colegas e que só conseguiu se salvar graças à experiência que adquiriu ao lado dos médicos da prisão.
Em entrevista à Associated Press, o prisioneiro contou que buscou um oficial e pediu ajuda. O guarda, contudo “apenas jogou as chaves no chão e fugiu”.
"Não acho que os policiais queriam se arriscar a morrer queimados. Se dependesse de mim, teria salvo todos, mas infelizmente não consegui. Era muito difícil porque não sabia para que lado ir. Eles me chamavam de todos os lados", explica.
Questionado sobre o crime que o trouxe para o presídio de Comayagua, ele revela que matou um homem para defender seu pai e que, agora que está perdoado, quer reencontrar a família. O código penal hondurenho não prevê o perdão de cidadãos condenados. Ainda assim, o decreto de Lobo o isenta do cumprimento de mais 14 anos de reclusão em Comayagua.
A equipe de resgate que entrou na prisão depois do acidente relatou imagens horríveis de corpos carbonizados fundidos com as barras de metal. A perícia concluiu que diversos prisioneiros morreram amontoando-se uns sobre os outros.
O presídio de Comayagua abrigava cerca de 850 pessoas, o dobro de sua capacidade oficial. Segundo o presidente, o processo de identificação dos corpos está ocorrendo o mais rápido possível e um tribunal internacional já foi acionado para determinar uma reparação “correta, legal e, acima de tudo, justa”. O incêndio matou 359 prisioneiros e um visitante no último dia 14 de fevereiro.
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