Estado argentino será autor da ação que investigará acidente de trem em Buenos Aires
O ministro de Planejamento da Argentina, Julio De Vido, anunciou nesta quinta-feira (23/02) que o governo argentino será autor da ação que investigará o acidente de trem, que não freou ao chegar à estação Once, em Buenos Aires, deixando 50 mortos e 703 feridos na quarta-feira (22/02).
“De nenhuma maneira vamos tomar, do ponto de vista administrativo, ações que estejam descontextualizadas do acionar da Justiça”, afirmou Julio De Vido, em uma coletiva de imprensa, ao lado do secretário de Transportes, Juan Pablo Schiavi. O ministro não esclareceu, no entanto, se a ação será aberta contra a empresa TBA S.A., que tem a concessão da linha ferroviária na qual ocorreu o acidente.
“Aqui não são gerados sistemas de proteção para ninguém”, disse, em relação às especulações de sanções ou de uma possível rescisão do contrato com a empresa. “Nossa participação como particulares autores da ação tem que ser uma ajuda e um respaldo à ação da Justiça”, disse, confirmando que a medida se deve a instruções da presidente Cristina Kirchner para “defender o interesse público e acompanhar as vítimas e seus familiares”.
O secretário de Transportes que, por sua vez, havia afirmado que se o acidente tivesse acontecido no dia anterior, durante o feriado, o resultado “seria diferente”, esclareceu que não queria minimizar o ocorrido. “Será a justiça quem determinará responsabilidades e culpados”, disse, em relação à solicitação que recebeu para se apresentar no Congresso esclarecimentos sobre o caso.
O secretário afirmou que a viagem que resultou em tragédia não foi a primeira viagem do trem que bateu, ao não poder entrar na estação. Segundo ele, a formação já estava em circulação desde as 2h45 da madrugada anterior, e o maquinista iniciou sua jornada às 7h49 da manhã, apenas 40 minutos antes do acidente.
“Entre as 2h45 e as 8h30 da manhã a formação esteve funcionando e não temos, em meio à investigação judicial e às perícias que estamos fazendo dentro do mesmo organismo de controle, a informação de que tenha havido detecções de falhas, de problemas nos freios ou problemas e inconvenientes na formação”, garantiu.
Schiavi esclareceu ainda que o governo argentino “foi mudando, desde 2003, o sistema ferroviário”, que recebeu “muito investimento” estatal e que atualmente “basicamente é operado por empresas privadas”. Entre as empresas que atuam como concessionárias do transporte ferroviário na Argentina estão as brasileiras América Latina Logística Central S.A. e Camargo Corrêa.
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