CRISE NA SÍRIA
24/02/2012 - 21h15 | William Maia | Redação

Crescente Vermelho entra em Homs para ajudar feridos e resgatar jornalistas

Cruz Vermelha não teria conseguido autorização para atuar na cidade, principal foco dos conflitos contra o regime Assad

O grupo Crescente Vermelho da Síria começou nesta sexta-feira (24/02) a prestar atendimento aos feridos na cidade de Homs, que fica na região central da Síria, e é o principal foco de conflitos entre grupos rebeldes e as forças de segurança do presidente Bashar al Assad. A organização humanitária também fará o resgate de jornalistas em situação de risco na cidade. Pelo menos dois correspondentes de veículos de comunicação ocidentais acabaram mortos na região nesta semana; outros ficaram feridos.

Apesar da autorização para auxílio às vítimas, o governo sírio não teria permitido a atuação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no local, restringindo a ação humanitária ao Crescente Vermelho. A informação é de integrantes do grupo opositor CCL (Comitês de Coordenação Local). O governo sírio não se manifestou oficialmente.

Divulgação/Sunday Times

Marie Colvin, jornalista especializada em guerras que já havia perdido um olho em serviço, morreu nesta quarta na Síria

A cidade vem sendo castigado por ataques desde o início do mês. Nesta quarta-feira, morreram no local a jornalista americana Marie Colvin e o fotógrafo francês Rémi Ochlik, enquanto a repórter francesa Edith Bouvier e os fotógrafos Paul Conroy, britânico, e o francês William Daniel ficaram feridos.

Segundo o grupo opositor, os jornalistas se negaram a abandonar o bairro se não estiverem presentes o embaixador francês e americano e membros do CICV. O embaixador francês, Eric Chevallier, voltou na quinta-feira à Síria, duas semanas após ser chamado a consultas.

Em vídeo divulgado na quinta-feira na internet, os repórteres ocidentais feridos pediam para deixar imediatamente o local.

Bouvier, jornalista do "Le Figaro", explicou que tem uma dupla fratura em uma perna, e que embora os médicos a tenham tratado "muito bem na medida de suas possibilidades", não podem realizar operações, por isso que precisa sair do país.

Esta semana, o CICV anunciou que estava realizando contatos com o regime sírio e os opositores para conseguir um fim nas hostilidades e levar ajuda humanitária à Síria.

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