Ahmadinejad defende o direito à energia nuclear e se diz vítima de ataque midiático

Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, iraniano afirmou que pretende aprofundar acordos com o Brasil em diversas áreas

Sem poupar críticas aos Estados Unidos e às “nações dominadoras do Ocidente”, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que a questão nuclear é um dos maiores “sinais de injustiça” da ordem mundial, no que classificou de uma “guerra midiática” que o país persa tem sofrido.

Wikicommons

Ao contrário do breve discurso no primeiro dia da Conferência das Nações Unidades para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, com a presença dos chefes de Estado, o presidente concedeu na última quinta-feira (22/06) uma longa entrevista coletiva a um grupo seleto de jornalistas no hotel onde está hospedado, no Rio de Janeiro. O iraniano contava com forte esquema de segurança, realizado por agentes vindos de Teerã para acompanhar a visita oficial ao Brasil.

Sem lançar polêmica, Ahmadinejad respondeu a questões sobre cooperação com o Brasil e países da América Latina e reforçou suas críticas aos países ricos detentores de armas nucleares definindo-os como agressivos, colonialistas e que querem impedir o desenvolvimento do Irã.

“Já assinamos o tratado de não proliferação [de armas nucleares] e estabelecemos mais cooperação com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Mas por que tantas pressões? Sempre anunciamos que não queremos ter e nem fabricar bombas atômicas. Não existe nenhum sinal de desvio do nosso programa nuclear. Será que o problema é mesmo só a bomba atômica?”, enfatizou.

Segundo o chefe de Estado, a energia nuclear deve ser acessível a todas as nações. “A questão nuclear é um dos sinais de injustiça que vemos nessa ordem atual. Mas nós acreditamos que ninguém deve possuir armamentos nucleares. Este é um instrumento para impor a opressão. Eles pensam que as armas devem estar nas mãos deles”, declarou, referindo-se aos Estados Unidos e aos países ocidentais.

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“Qual é o problema? Para nós é bem claro que eles não querem o desenvolvimento e o progresso iraniano, um país que está fora do alcance e da dominação deles, e que quer crescer. Eles não querem permitir isso”, argumentou.

Ao ser questionado sobre o encontro que terminou sem acordo, na última terça-feira (19/06), em Moscou, entre o Irã e seis potências mundiais – Estados Unidos, China, Rússia, França, Grã-Bretanha e Alemanha – que defendiam o abandono do enriquecimento de urânio a fim de encerrar o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano, Ahmadinejad avaliou a reunião como um “pretexto para aproveitar a dominação”.

“Estão contra o progresso do Irã e não podem expressar isso publicamente, é um pretexto e estão se aproveitando da sua dominação. Eles devem ceder ou desistir. Em vez de conflitos, podemos estabelecer cooperações, mas eles não querem isso. Querem parar o nosso caminho do progresso”, afirmou.

Segundo ele, os países desenvolvidos querem “impor regulamentos” fora da gestão da AIEA. O fracasso das negociações em Moscou ainda coloca em alerta a comunidade internacional, pois Israel já lançou ameaças de bombardear instalações nucleares iranianas.

As potências ocidentais suspeitam que o Irã esteja desenvolvendo armas nucleares em sigilo e pretendem encerrar o programa de enriquecimento de urânio do país asiático. Contudo, Ahmadinejad insiste que são pacíficas as suas políticas de energia nuclear.

O chefe de Estado ressaltou ainda que a imprensa ocidental tem publicado mentiras e feito propagandas negativas contra o Irã no que classificou como uma guerra midiática que está em curso. “Enquanto eles falam da liberdade de informação, por outro lado, estão nos ameaçando através das bombas. É a continuação desse sistema de colonização que existia no passado”, acusou.

Para o dirigente, o Irã representa um modelo de progresso sem dar demonstrações de colonialismo. “Os relatos que fazem do Irã mostram nosso país como atrasado, que vive na miséria e que a maior parte do nosso território é deserto. Como o pensamento deles é materialista, acham que com as barreiras econômicas podem atingir seu objetivo, estão errados. Hoje o Irã é um país desenvolvido, com a nossa capacidade, conseguimos nos fazer presentes na área de tecnologia e somos pioneiros em biotecnologia. O país também se desenvolveu no campo industrial”, acrescentou. Entretanto, o líder iraniano criticou o “olhar absolutista da mídia”.

Ahmadinejad começou, na última semana, uma viagem por três países latino-americanos: Bolívia, Brasil e Venezuela. Na Rio+20, o presidente do Irã tentou sair do isolamento e foi em busca de aliados, defendendo cooperações internacionais com os países da região que chamou de “amigos”.

No Rio de Janeiro, o iraniano tentou agendar um encontrou bilateral com a presidente Dilma Rousseff, mas esta teria rejeitado o pedido de audiência oficial durante o evento da ONU. Apesar de não mencionar este fato, que pode ter deixado desconcertada a delegação iraniana, Ahmadinejad destacou o interesse do país em traçar acordos de cooperação com o Brasil e não deixou de citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele defendeu o papel do Brasil para ajudar a mediar o impasse que existe acerca do programa nuclear iraniano: “O papel do Brasil nessa questão é importante, a Declaração de Teerã com a participação do ex-presidente do Brasil e o ex- primeiro ministro da Turquia é um documento importante e demonstra que o povo iraniano está dentro das legitimidades”.Teerã pretende ainda aprofundar acordos na área financeira, científica e nos meios de comunicação, anunciou.

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