Após um mês de sua deposição, Lugo anuncia que resistirá ao "golpe de Estado"

Tribunal permanente do Mercosul recusa pedido de Federico Franco pelo fim da suspensão do Paraguai

 

Ao completar um mês de seu impeachment, o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo afirmou neste domingo (22/07) que seguirá resistindo ao "golpe de Estado" perpetrado pela "oligarquia econômica e política de seu país".

Por meio de um comunicado, o ex-presidente garantiu que sua “luta pacífica para que volte a democracia” e não irá “retroceder” até que “se anule a paródia que foi o julgamento político de 21 e 22 de junho".  Ele diz ter se encontrado no local com vários dirigentes dos 17 departamentos (estados) do país para analisar a situação e articular a "resistência de luta até a conquista da genuína e verdadeira democracia".

Efe

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Lugo acabou destituído de seu cargo após ser submetido a um julgamento político no Senado no qual foi condenado por mau desempenho de suas funções. O processo teve como motivação a morte de 17 policiais e agricultores durante um despejo de sem- terras em uma fazenda disputada pelo Estado e pelo político e empresário Blas N. Riquelme. O até então vice-presidente, Federico Franco, assumiu em seu lugar.

Para o presidente deposto, a situação "foi manipulada de maneira vil para justificar a manobra antidemocrática dos parlamentares golpistas". A seu ver, o Governo de Franco "deu mostras de que não tem interesse" em elucidar o ocorrido.

Ele também aproveitou a oportunidade para justificar a razão pela qual não conclamou seus partidários a saírem às ruas e lutar pela restituição do governo democraticamente eleito. "Os que tramaram contra o povo paraguaio esperavam que déssemos um passo em falso e que, em nossa legítima defesa frente ao golpe, déssemos a eles a oportunidade para provocar mais mortes e voltar a utilizá-las em favor de suas conspirações. Mas optamos conscientemente por não alimentar a espiral da violência e morte”, argumentou.

Para Lugo, isso nunca significou “abdicar” do que classifica de “luta pela democracia” no país. “Não confundam nosso pacifismo com tolerância às violações à democracia", insistiu. "Os que estiveram ao lado do golpe são os que lucram com um modelo de país para poucos, onde o destino de nossa gente é a emigração", afirmou o ex-bispo, quem também denunciou "centenas de demissões" ilegais de funcionários públicos "por motivos ideológicos".

Sanções mantidas

O Tribunal Permanente do Mercosul recusou neste domingo (22/07) o pedido do governo de Federico Franco para que a suspensão do Paraguai fosse revogada. De acordo com o novo governo, a decisão representa um "truque processual inaceitável".

Assunção também apresentou um recurso contra a decisão de incluir a Venezuela como membro pleno do bloco. Mas o tribunal, ainda assim, afirmou que é "inadmissível, nesta instância, a medida provisória solicitada" para reverter a decisão dos seus integrantes.

O chanceler paraguaio, José Félix Fernández Estigarribia, emitiu um comunicado no qual afirma que, "ao aceitar a sua competência para julgar a questão, mas levando a solução das reivindicações paraguaias a um processo inexequível, o Tribunal Permanente de Revisão criou uma situação de negação de justiça".

Franco afirmou que o seu governo não tomará a decisão de sair do Mercosul, embora a principal associação empresarial do Paraguai, visto como um forte ponto de apoio à sua gestão, pede com frequência sua retirada do bloco.

Observadores

A crise política gerada com a destituição de Lugo levou a uma suspensão temporária do Paraguai do Mercosul e da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), blocos que argumentam que ocorreu uma ruptura democrática no país.

Além disso, a OEA (Organização dos Estados Americanos) e o Parlamento Europeu enviaram missões de observação para Assunção para analisar a situação.

(*) Com agências

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