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Incêndio em uma loja em Londres durante os distúrbios de 2011.
O número 638 da Tottenham High Road, zona norte de Londres, é uma cicatriz na paisagem. Há um ano, o prédio histórico, que sediava uma loja da rede de materiais de construção Carpet Right, queimou por horas a fio e tornou-se o símbolo dos distúrbios (ou riots) que incendiaram o Reino Unido no verão passado. Naquele momento ficou claro que o protesto pela morte de Mark Duggan, taxista, 29 anos, quatro filhos, assassinado no dia 4 de agosto com dois tiros no peito por policiais britânico, estava totalmente fora de controle.
Hoje o 638 é um fantasma envolto por tapumes e uma promessa de reconstrução. A previsão é que um novo prédio, parecido com o original, fique pronto no outono do ano que vem. Mas ao caminhar pelo bairro fica claro que o esforço não é o suficiente para curar o passado. A Tottenham High Road, epicentro dos distúrbios, é uma avenida de tapumes e cicatrizes, de todos as metragens, carimbados por mensagens que tentam recuperar a autoestima perdida: I love Tottenham.
Nas lojas saqueadas pela revolta, poucas palavras sobre o assunto. As identidades são encarecidamente recolhidas ao anonimato. "Eu acho que não vai acontecer de novo, eles aprenderam a lição", disse a poucos metros dali a dona de um Off Licence, lojinha de revistas, bebidas, petiscos e cigarros bastante comum em toda Londres. "Minha loja foi destruída, mas por sorte eu tinha seguro. Aqui é preciso ter seguro", afirmou, para depois emendar. "Como em qualquer lugar, né?"
O esforço por não demonizar Tottenham é sempre presente entre os que se dispõem a falar. Eles tentam empurrar a destruição da High Road para um passado distante, apesar dos claros sinais de que, mesmo um ano depois, a frustração é constante.
Entre os jovens, a palavra "polícia" é uma bomba relógio. Não demora e surgem as duas expressões que entraram por vias tortas em seus vocabulários: "stop and search", o mesmo que dar uma geral; e "bully van", o apelido das vans de polícia. Quando a entrevista acabou, um deles, cerca de 18 anos, morador da região de Leyton, pediu emprego à reportagem do Opera Mundi.
Roberto Almeida/Opera Mundi

Tapume do número 638, em Tottenham High Road, com a promessa de um edifício novo até o ano que vem.
Os sinais são claros de que as coisas não vão bem na periferia de Londres. O país está em recessão há quase um ano e a crise europeia longe de um fim. O NHS (National Health System), sistema de saúde britânico e símbolo máximo do estado de bem-estar social, exaltado na cerimônia de abertura da Olimpíada, sofre com cortes em seu orçamento. É comum ouvir de imigrantes que o país "já foi bom", comparado ao que era há 10, 15 anos.
Para entender a realidade
Ao contrário do que acredita a dona da lojinha na Tottenham High Road, especialistas afirmam que os distúrbios devem sim acontecer de novo, em um ciclo que se repete há décadas no Reino Unido. Basta uma fagulha. Mas como prever o futuro?
No front dos cientistas sociais, o jornal britânico The Guardian fez uma parceria com a LSE (London School of Economics) para pesquisar as motivações dos distúrbios entre os jovens britânicos. Segundo o estudo, intitulado Reading the Riots (Lendo os Distúrbios) os jovens partiram para a destruição por causa da polícia. A palavra usada pelos que participaram dos distúrbios foi "vingança".
No entanto, Londres é uma cidade vigiada, há câmeras por todos os lados. Os que não cobriram o rosto foram pegos pelo sistema e denunciados. Na conta final, cerca de 1.200 acabaram presos por saque e destruição de patrimônio. Muitas detenções ocorreram semanas depois, já que contê-los foi impossível.
A polícia estava visivelmente em menor número. Os manifestantes aproveitaram a vantagem numérica, atearam fogo em seus carros e, sem grandes intenções, alastraram a fagulha da insatisfação para todo o país. Em poucas horas, alimentados pelas redes sociais, protestos atingiram Manchester, no norte da Inglaterra. Um país inteiro estava em chamas.
O comissário da polícia britânica, Bernard Hogan-Howe, publicou nesta segunda-feira (06/08) um texto no jornal London Evening Standard, classificando a violência como "gratuita" e "completamente injustificada". Segundo ele, os distúrbios não vão mais acontecer. "Londres é uma cidade diferente", argumenta, exaltando os 1.750 policiais treinados e incorporados à instituição de um ano para cá.
'A sensação era a mesma dos ataques do PCC'
Quando acordou naquela segunda-feira, 8 de agosto, a brasileira Vivan Eigner, 27 anos, viu nos jornais que Londres estava mudada. As ruas vazias denunciavam um mal-estar generalizado com os distúrbios. Um medo do que poderia acontecer. "A sensação que eu tive foi exatamente a mesma dos ataques do PCC em São Paulo, em 2005", conta.
Naquela noite, o pub The Windmill, na região de Shoreditch, leste de Londres, sempre aberto até depois das 23h, já estava de portas fechadas muito mais cedo. Nem oito da noite e Vivian, a gerente, passara a chave e apagara as luzes. Motivo: falta de clientes. Na volta para casa, em Canada Water, sudeste da capital, ninguém no trem de superfície. Cidade sitiada.
Entre os poucos britânicos que apareceram no The Windmill, a sensação não era de raiva, mas de tristeza. A cidade deles estava sendo destruída mais uma vez, exatamente como nos distúrbios de Brixton, zona sul de Londres, em 1981, ainda no governo da conservadora Margaret Thatcher.
'Distúrbios acontecem quando o Estado ataca as pessoas'
O contador Anthony Harris chegou em casa e, apesar da chuva fina, colocou o moletom com capuz para sair para correr. Entre as passadas pelas ruas de Crouch End, zona norte de Londres, bem próximo ao epicentro em Tottenham, as sirenes da polícia começaram a incomodar.
"Quando fui ao Sainsbury's [supermercado] pegar meu jantar a loja estava fechada. Achei estranho e continuei andando até que vi um grupo quebrando as janelas de uma loja e pegando 'mercadorias'. A atmosfera era esquisita, um universo fora-da-lei, algo que eu nunca tinha sentido antes", relembrou.
Roberto Almeida/Opera Mundi

Rua próxima à estação de Dalston Kingsland, no distrito de Hackney, leste de Londres.
Hoje, um ano depois, Harris, que é filho de jamaicanos emigrados na década de 1960, é estudante de antropologia na Universidade de Londres. "Eu acredito que a desobediência civil esteve além de simples atos de vandalismo, mas sim um resultado de anos de política de austeridade. Eles tinham de acontecer porque as pessoas não se sentem representadas", afirmou Harris.
"Os saques podem ser chamados de oportunismo", continuou. "Mas eu diria que os saques revelaram muito sobre as pessoas que resolveram condená-los. O fato é que o establishment está saqueando as comunidades mais pobres, e são eles os que mais sofrem."
O trilho da destruição
O ônibus 149 desce a Tottenham High Road aos solavancos rumo a Clapton Common e Dalston, já parte da subprefeitura de Hackney. A linha percorre regiões bastante atingidas pelos distúrbios, cortando a cidade pelo norte, passando pelo leste e chegando ao centro via London Bridge. Em comum a todos os bairros, sinais claros de pobreza e insatisfação.
Entre especialistas, não há consenso sobre os motivos para a violência daquele agosto. Primeiro, falou-se que o fechamento de clubes esportivos, frequentados pelos jovens, puseram-nos nas ruas sem ter o que fazer. Depois, dedos foram apontados para os pais dos jovens e o governo conservador do premiê David Cameron lançou uma campanha pela educação familiar.
Em meio aos vaivéns políticos e econômicos, a solução de Cameron também passou por uma reformulação do conceito de sociedade, a chamada "Big Society", que pretende estimular o voluntariado para amenizar as carências do período de austeridade. Mas com ou sem "Big Society", Londres ainda não sabe o que vai acontecer daqui para frente. É esperar para ver.
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