Hoje na História: 1827 - Morre o pintor e ilustrador inglês William Blake

Em suas gravuras, trabalhava com escalas pequenas, mas com detalhes soberbos

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William Blake, poeta e ilustrador inglês, morre em Londres, em 12 de agosto de 1827, aos 69 anos. Está enterrado num túmulo sem lápide em Bunhill Fields, na capital britânica. No dia de sua morte, Blake trabalhava exaustivamente em A Divina Comédia, de Dante Alighieri, apesar de seu mau estado de saúde.
 
O funeral, bastante humilde, foi pago pelo responsável pelas ilustrações do livro. Hoje, Blake é reconhecido como um santo pela Igreja Gnóstica Católica, e o prêmio Blake Prize for Religious Art (Prêmio Blake para a Arte Sacra) é entregue anualmente na Austrália em sua homenagem.
 
Blake nasceu em 28 de novembro de 1757 em Londres, terceiro de quatro irmãos. Seu pai, James, era um pequeno fabricante de meias e, com suas economias, pôde apenas oferecer a William escolaridade básica, o que lhe permitiu aprender a ler e escrever. Por um curto período frequentou também aulas de desenho.
 
O ilustrador trabalhou na loja de seu pai até que o despertar de seu talento para desenho se tornou tão óbvio que, aos 14 anos, foi levado ao ateliê do ilustrador de gravuras James Basire como aprendiz. Terminado o aprendizado deu início aos 21 anos a sua própria carreira.
 
Blake casou-se aos 25 anos com Catherine Boucher que, com ele, trabalhou na maior parte de suas criações artísticas. Juntos publicaram um livro com poemas e desenhos de Blake intitulado Songs of Innocence (Canções da Inocência).
 
Blake gravava palavras e ilustrações em chapas de cobre – um método que afirmava ter recebido em sonho – e Catherine coloria as chapas e encadernava os livros. Songs of Innocence vendeu pouco ao longo da existência de Blake, o que o forçou lutar por muito tempo, quase à beira da miséria.
 
Mais sucesso obteve uma série de gravações sobre cobre que Blake produziu para ilustrar o Livro de Jó para uma nova edição do Antigo Testamento.
 
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Blake não tinha jeito para negócios e rejeitava os pedidos do editor para focar apenas em seus temas preferidos. Na escolha dos temas, Blake era com frequência levado por suas visões místicas e românticas do cristianismo: ao Songs of Experience (1794) seguiram-se Milton (1804-1808) e Jerusalem (1804-1820).

Em 1800, Blake ganhou um patrocinador em William Hayley, quem lhe pediu para ilustrar seu Life of Cowper e criar bustos de famosos poetas para sua casa em Felpham, Surrey.

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Deus criando Adão, de William Blake, de 1795, em exibição na galeria Tate Modern, em Londres

Blake passou então a dedicar-se de corpo e alma ao trabalho. A falta do reconhecimento público levou-o a uma severa depressão que durou de 1810 a 1817 e mesmo os seus amigos mais íntimos o consideravam insano mentalmente.

Ao contrário de pintores como Thomas Gainsborough, Blake trabalhava com escalas pequenas. A maioria de suas gravuras podia ter a altura medida em polegadas. No entanto, os detalhes eram soberbos e exatos.

A obra de Blake só recebeu consagração pública após sua morte. Um fragmento de seu poema Milton tornou-se a letra de uma canção que passou a ser uma espécie de hino cristão não-oficial do nacionalismo inglês no século XX.

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