Integrantes da banda Pussy Riot são condenadas a dois anos de prisão

Justiça russa determinou condenação por ódio religioso e vandalismo

Agência Efe

As iintegrantes da Pussy Riot durante julgamento em Moscou em que foram condenadas a dois anos de prisão 

Atualizada às 14h20

As três integrantes da banda punk Pussy Riot foram condenadas nesta sexta-feira (17/08) a dois anos de prisão em uma colônia penal por um tribunal de primeira instância em Moscou pelo crime de "vandalismo motivado por ódio religioso". "Considerando a natureza e o grau do perigo representado por aquilo que foi feito, as rés só podem ser corrigidas por meio de uma punição real", anunciou a juíza responsável por caso, Marina Syrova.

Em fevereiro desse ano, Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich organizaram um protesto contra o presidente russo, Vladimir Putin, na maior igreja ortodoxado país, a Catedral de Cristo Salvador, na capital Moscou. Vestindo gorros coloridos que encobriam o rosto, as Pussy Riot cantaram “Virgem Maria, expulse Putin” para criticar o apoio do patriarca (cargo mais alto na hierarquia da religião cristã-ortodoxa, a mais seguida na Rússia) na última eleição presidencial.

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Durante a leitura de três horas da sentença, Syrova descartou as alegações da defesa de que a performance da banda era um protesto político, sustentando que desrespeitaram a "ordem pública" e os fiéis ortodoxos. A juíza seguiu  a versão da promotoria: “elas debocharam e humilharam as pessoas na Igreja”, disse o promotor Alexei Nikiforov na semana passada. “Usar palavrões numa igreja é um abuso contra Deus”, completou ele.

Agência Efe

Apesar de pedirem desculpas aos cristãos que se sentiram ofendidos com a performance, as acusadas se recusaram a admitir sua culpa por considerarem que o protesto não configura  um crime segundo as leis da Rússia.

As artistas mantiveram sua posição mesmo com a possibilidade de firmar uma negociação com o promotor e diminuir sua pena. “Nós nos recusamos a assumir culpa”, disse Nadezhda.

“O tema principal da nossa apresentação não é a Igreja Ortodoxa, mas sim a ilegitimidade das eleições”, afirmou Yekaterina segundo o diário britânico The Daily Mail. "As chamadas (pelo Patriarca) para votar em Putin e para não ir aos comícios de protesto são claras violações dos princípios de um estado laico”, continuou ela. 

Após o anúncio da sentença, uma voz indignada irrompeu no tribunal: "vergonha!". Apesar de já esperada, a decisão de Syrova fez com que centenas de pessoas se reunissem em frente ao edifício da Justiça, em Moscou, onde as ativistas foram julgadas (foto à esquerda).

Cercados por uma extensa tropa policial, os manifestantes gritam "Liberdade para as Pussy Riot" e "Fora Putin", conforme relatos do jornal britânico The Guardian. O campeão de xadrez, Garry Kasparov, e o líder oposicionista de esquerda, Sergei Udalstov, foram presos durante o protesto desta sexta (17/08).

"Seja qual for o desejo de Putin, ele consegue. Isso é a única coisa a ser dita", resumiu o marido de Tolokonnikova na saída do tribunal. Para os ativistas críticos a Putin tanto na Rússia quanto no exterior, o julgamento das Pussy Riot foi mais um sinal de que o governo russo não tolera críticas nem dissidências. “Estamos pedindo às autoridades russas para tirar suas queixas de vandalismo e soltar imediatamente Maria, Ekaterina e Nadezhda”, disse Kate Allen, diretor da Anistia Internacional do Reino Unido. 

Protestos pedindo a liberdade das integrantes da banda percorreram cidades de todo o mundo nesta semana, chegando a mobilizar até mesmo artistas que se apresentaram na país. Sting, Red Hot Chili Peppers e Madonna pediram em suas apresentações pela libertação das integrantes da banda punk. 

“Nos tempos soviéticos ou nos tempo de Stálin, os julgamentos eram mais honestos do que esse”, afirmou o advogado de defesa Nikolai Polozov perante o tribunal. Os advogados da banda acusaram a justiça de agir com parcialidade favorável a acusação e que o processo não passa de uma repressão política do regime de Putin. 

No início do julgamento, Yekaterina mostrou preocupação com o atual quadro político russo: “estou considerando isso como o início de uma campanha autoritária e repressiva do governo que procura dificultar a atividade política e criar um sentimento de medo entre os ativistas políticos”.

Já em carta enviada nesta quinta-feira (17/08) ao público, Tolokonnikova afirmou que os críticos ao regime "Putinista" venceram, independentemente do veredito final. “Algo inacreditável está acontecendo na cena política da Rússia: uma pressão poderosa, insistente e exigente da sociedade frente às autoridades”, escreveu ela.

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